Por falta de tempo devido aos compromissos
profissionais e pela precipitação de acontecimentos no mundo
político, nada havia escrito no blog a respeito de futebol e do São Paulo FC
desde a saída de Muricy Ramalho, há quase três meses. Quem me acompanha nas
redes sociais, porém, em especial no Twitter, sabe do apreço que tive pela contratação
do técnico Juan Carlos Osorio e que nutro por seu trabalho até aqui. Agora, minimamente
superada a turbulência das últimas semanas (pelo menos, assim o espero), que certamente
se agravaria em caso de eliminação para o Ceará na Copa do Brasil, me parece
oportuno externar uma posição mais bem embasada.
Entendo que a vinda de Osorio é o
maior acerto – talvez, o único – dessa gestão desastrada, para dizer o mínimo, de
Carlos Miguel Aidar. Contudo, me parece desnecessário lembrar a canalhice (para
mim, é este o termo apropriado) que fizeram com o trinador colombiano, ao
omitirem, no momento em que o procuraram, a situação financeira dramática que
vive o clube. Com efeito, o desmanche promovido por Aidar nas últimas semanas compromete
sobremaneira o trabalho de Osorio (e mesmo o próprio ânimo do técnico em
permanecer no futebol brasileiro). Por conseguinte, prejudica uma avaliação
mais precisa sobre ele.
Esse quadro, no entanto, só vem
corroborar algo que, mesmo se não houvesse o desmanche, me parece a postura
correta que a diretoria deveria seguir: dar tempo para Osorio trabalhar. Quem teve
a oportunidade de morar em outro país sabe a demora que pode ocorrer no
entendimento e na adaptação aos costumes, ao dia a dia do novo lugar. Para quem,
como o colombiano, chega numa posição de comando, e se depara com a situação
desconhecida descrita acima, essa dificuldade se agrava.

Assim,
se há um pilar que pode servir para reestruturar minimamente o há anos
cambaleante São Paulo, ao menos dentro de campo, este é justamente Osorio. Mas,
trata-se de um trabalho que leva tempo, ainda mais sem dinheiro para grandes
contratações. Logo, de nada adianta cobrá-lo apenas pelo próximo jogo. Há de se enxergar alguns passos adiante. E, de mais a mais, nunca é demais lembrar: construir é sempre mais difícil do que
destruir.