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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Ricardo Darín - 60 anos

O ano no blog se inicia com uma homenagem ao grande ator argentino Ricardo Darín, que neste 16 de janeiro completa 60 anos. Mas, ao contrário do usual, não vou aqui publicar algum trabalho dele. Nesse tributo, deixo vocês com dois trechos de entrevistas de Darín, nas quais ele demonstra não apenas ser talentoso em sua profissão, mas também ser um cidadão acima da média. No primeiro, fala de sua recusa a trabalhar em Hollywood, deixando o entrevistador desconcertado, No segundo, sobre a utopia.

No dia em que é publicada a notícia de que oito pessoas detêm riqueza maior do que a metade mais pobre do planeta (leia aqui), as palavras de Darín reforçam a necessidade de se pensar em um modo de vida diferente do que aquele em que vivemos.




segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A morte e a ausência de Deus: "O sétimo selo" de Bergman à luz da filosofia de Sartre

Motivado por uma atividade na UFBA, resolvi escrever este post esboçando uma interpretação do filme O sétimo selo, do diretor sueco Ingmar Bergman, à luz da filosofia de Sartre. Mais particularmente, de um eixo temático comum a ambos: a ligação entre a existência de Deus e a morte.

O enredo do filme – cujo título remete a uma passagem do Apocalipse, na Bíblia – é relativamente simples: no final da Idade Média, um cavaleiro e seu ajudante retornam das Cruzadas e se deparam com uma população avassalada pela Peste. O cavaleiro, Antonius Block recebe a visita da Morte e, a fim de estender sua vida, convida-a para um jogo de xadrez. Se perdesse, partiria com ela. Enquanto o jogo não terminasse, permaneceria vivo, em busca de um sinal da existência de Deus e de que sua vida não teria sido em vão. A Morte, que nunca fora derrotada, aceita o desafio.

A partir daí, o filme retrata a jornada de Block em busca das respostas à suas aflições existenciais em um mundo fortemente marcado pela religiosidade e pelo medo. Neste contexto, dois temas tipicamente afeitos ao pensamento de Sartre brotam ao longo da película. O primeiro é precisamente a busca por um sentido transcendente, uma justificativa para a vida, que atravessaria o próprio ser do homem, mas cuja resposta seria impossível, dada a ausência de Deus. Por exemplo: em dado momento, Block se desespera porque quer abandonar tudo, se entregar ao seu inevitável destino, mas, ao mesmo tempo, sente-se incapaz dessa resignação, porque não consegue se desvencilhar da dúvida, da inquietação por saber se sua vida, integralmente dedicada a Deus, teria tido algum sentido. Com efeito, Bergman elabora uma a permanente tensão que perpassa toda a jornada de Block: a tensão entre sua crença, isto é, o desejo de que Deus forneça algum sinal de que a vida – a sua em particular, mas também a de todos acometidos pela tragédia, que não abandonam a fé – e a ausência de qualquer resposta concreta. O fracasso, a paixão inútil do ser humano, diria Sartre.

Nesse sentido, quase como um Sancho Pança do célebre romance de Cervantes, o ajudante de Block, Jöns, funciona no filme como uma espécie de “voz da razão”. Cético, em toda oportunidade aponta para a gratuidade do existir – a contingência do ser, para usar outro conceito de Sartre. Isso fica claro, por exemplo, no momento em que uma mulher acusada de “bruxaria” – por conseguinte, culpada pela disseminação do castigo da Peste – será crucificada e queimada. Observando seu olhar aterrorizado e sem direção nos instantes que precedem a sua terrível execução, Block se pergunta o que ela estaria vendo. Jöns, sem rodeios, simplesmente responde: “O vazio”. Em outros termos, ela estaria percebendo, à beira da morte, que não há nada: nem além, nem salvação...

Mas, a cena mais emblemática do filme talvez seja aquela em que Block vai a um confessionário e ali expõe sua angústia. O diálogo denso, típico da obra de Bergman, sintetiza as questões filosóficas de O sétimo selo. E igualmente ilustra a inevitabilidade do fim. Isso porque Block pensa estar conversando com um padre, quando, na verdade, é a própria Morte quem está no confessionário. Enganado, acaba entregando uma jogada que faria na partida de xadrez e que, a seu ver, resultaria em vitória. A Morte está sempre um passo a frente. Seu triunfo ante a vida é inexorável.

Aqui, no entanto, convém fazer uma ressalva no que diz respeito à aproximação de O sétimo selo com Sartre. É que, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, o pensamento sartriano em nenhum momento abraça o niilismo – como o longa pode eventualmente respaldar. Não haver sentido a priori para a existência humana, não haver justificativa para estarmos aqui, não haver Deus, enfim, não representa, para o filósofo, a simples celebração da gratuidade. Pelo contrário, Sartre entende que todos esses elementos convergem para a afirmação da absoluta liberdade (e, consequentemente, responsabilidade) do ser humano diante de si, de outrem, do mundo. Têm, portanto, um caráter antes positivo do que negativo. Não se trata de ceder ao desespero diante do desamparo da solidão existencial, mas de tomar a contingência como ponto de partida para a criação de sentido. 

Finalmente, nessa linha, a última tomada do filme permite reaproximar Bergman e Sartre – ao menos, o Sartre dos anos 1930, 1940, francamente empenhado em uma literatura engajada, e uma interpretação não niilista do filme. A ciranda da Morte leva todos os personagens do filme, exceto um casal de artistas com seu bebê. De certo modo, pode-se afirmar que a arte aparece, para o diretor sueco, como fonte de salvação: provisória, pode-se replicar. Ainda assim, no entanto, como salvação. Com Sartre, se poderia complementar: não como salvação para o além, mas como meio de conferir algum sentido no aqui e agora da vida diante da absoluta gratuidade do real – o que também, de certo modo, é um “salvar-se”. Aliás, é essa conclusão a que chega Antoine Roquentin, protagonista do romance sartriano A náusea. Ou, para usar uma feliz definição do recém-falecido Ferreira Gullar: “a arte existe porque a vida não basta”. Bergman e Sartre certamente ratificariam as palavras do poeta brasileiro.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

De volta para o futuro

21 de outubro de 2015. Um dia aguardado por muitos amantes do cinema. Em especial, para aqueles que foram crianças ou adolescenters entre o final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Afinal, é nessa data que Marty McFly, herói daquela época, “chega ao futuro”, junto com o Dr. Emmet Brown e seu inesquecível DeLorean convertido em “máquina do tempo”, na segunda parte da trilogia De volta para o futuro. É verdade que, em certos aspectos, o cenário atual é bastante diferente daquele imaginado no filme: não há carros ou skates voadores (os hoverboards), os calçados não se amarram sozinhos, nem as roupas têm função de auto-ajustamento e auto-secagem. E, felizmente, as pessoas não usam duas gravatas ao mesmo tempo! Por outro lado, drones, aparelhos operados por comando de voz, grandes monitores de tela plana, TVs com função multicanais, teleconferências, computadores portáteis (tablets), videogames que funcionam a partir de movimentos físicos, já são coisas corriqueiras. Ademais, a sociedade tecnocrática, a obsessão pela carreira profissional, a vida mais estressante, também são traços registrados no filme e, para nosso azar, bastante familiares aos nossos tempos...

Mas, independentemente dos acertos e erros de previsões – ou, talvez, precisamente pela possibilidade de haver erros e acertos nesse tipo de exercício especulativo – a “tese filosófica” que perpassa a trilogia (sim, ela existe!), e que Dr. Brown enuncia ao final da terceira parte, permanece intacta, e deve sempre ser lembrada: nosso futuro não está escrito; somos nós quem o fazemos, a cada instante, desde nossas mínimas ações – para o bem ou para o mal. O que faremos de nós, então?

sexta-feira, 6 de março de 2015

O carteiro e o poeta (Il postino)

Há filmes que nos tocam. Pela beleza, pela sensibilidade, pelo lirismo ou pelo que podemos extrair deles para nossas vidas. O carteiro e o poeta é um destes. O enredo é relativamente simples: explora a amizade desenvolvida pelo poeta chileno Pablo Neruda com Mario - um um rapaz que se torna seu "carteiro" particular em uma pequena ilha na Itália, para a qual o filósofo havia se mudado por questões políticas. O jovem carteiro é apaixonado por Beatrice e, mesmo semi-analfabeto, aprende a escrever poesias com a ajuda do amigo, até conseguir se declarar para a amada. No vídeo abaixo, uma das passagens mais marcantes, na qual Neruda ensina o amigo o que são metáforas.

O que parece um roteiro simples torna-se um longa marcante, tramado com as belas paisagens italianas e uma trilha sonora de uma delicadeza ímpar. Um filme poético, em todos os sentidos, e que vale á pena ser visto e revisto.

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O carteiro e o poeta (Il postino)
Ano: 1964
Direção: Michael Raford
Gênero: Drama
Origem: Itália
Duração: 100 min.
Elenco: Massimo Troisi, Philippe Noiret, Maria Grazia Cucinotta

sábado, 24 de agosto de 2013

Fellini 8 1/2

Vi Oito e meio, pela primeira vez, há quase 10 anos, numa apresentação na UFSCar, com apresentação do saudoso filósofo Bento Prado Júnior - que, poucos meses depois, se tornaria meu orientador na graduação. Se estivesse vivo, Bento teria completado 76 anos no último dia 21. A lembrança deste filme, que ele tanto admirava, é minha singela homenagem a ele.

Naturalmente, os sempre brilhantes comentários de Bento facilitaram meu entendimento e me fizeram admirar ainda mais essa obra de Federico Fellini. Afinal, 8 1/2 é daqueles filmes que deve ser visto com absoluta concentração, atenção aos detalhes, às imagens. Não é, portanto, um filme de "fácil degustação". Além do mais, sua longa duração (mais de duas horas) e o fato de ser filmado em branco e preto, pode, a princípio, afugentar alguns e dificultar o entendimento. Mas, uma vez imersos na trama e na metalinguagem que Fellini aplica neste trabalho, é difícil não se encantar com essa verdadeira obra de arte: a trilha sonora, de autoria de Nino Rota (que também assina a trilha de filmes como O poderoso chefão e Romeu e Julieta); a permanente alternância entre sonho e realidade que caracteriza o roteiro (embora confesse que, naquele momento, tenha tido dificuldades em compreender algumas passagens, mesmo com as explicações de Bento); e, sobretudo, pelas atuações magistrais de Marcello Mastroianni e Claudia Cardinale, além de Anouk Aimée. Mastroianni, aliás, é, na minha opinião, um dos melhores atores que vi atuar. Mais talvez: um daqueles caras que a gente olha e diz: "queria ser como ele". Como se diz atualmente: um "mito". E Cardinale, além de competente é, provavelmente, das atrizes mais belas que já apareceu nas telas.

8 1/2 é, sem dúvidas, obrigatório para os amantes do cinema. 



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Fellini 8 1/2

Ano: 1963
Direção: Federico Fellini
Gênero: Drama
Origem: Itália
Duração: 138 min. (preto e branco)
Elenco: Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Anouk Aimée

Sinopse: Oito e meio é quase um filme autobiográfico de Fellini. O título se refere à carreira do próprio diretor, que até então já havia dirigido seis longa-metragens, dois episódios de filme e havia co-dirigido um longa-metragem. Utilizando-se de metalinguagem, o filme retrata a crise de criatividade de um cineasta chamado Guido Anselmi, que demonstra um certo esgotamento no seu estilo de vida e resolve se internar em uma estação de águas para buscar inspiração. O filme conta com grande influência da teoria psicanalítica de Carl Jung, da qual Fellini era um entusiasta. Um exemplo é o foco nos sonhos do protagonista para explicar sua personalidade e os acontecimentos de sua infância. Do mesmo modo, o uso da fotografia preta e branca visa demarcar o conceito jungiano de sombra.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Poderoso Chefão - parte II (The Godfather - part II)

Poucas sequências filme - talvez nenhuma outra - foram mais bem sucedidas do que a segunda parte de O poderoso chefão. A ponto de ser difícil, para muitos fãs da trilogia, cravar qual dos dois primeiros filmes é melhor. Eu, por exemplo, prefiro o primeiro, por conta da atuação esplendorosa de Marlon Brando ao lado de Al Pacino. Contudo, o show deste último, na segunda parte, somada à também brilhante atuação de Robert de Niro, não ficam muito atrás. Além disso, as histórias paralelas tramadas na segunda parte da saga (de um lado, a história da imigração italiana para os EUA, representada pela história do jovem Vito Corleone; de outro, o desenvolvimento dos negócios da família Corleone, com destaque para a passagem pela Havana balançada pela Revolução de 1959), são de tirar o fôlego. Assim, decidir qual dos filmes é melhor é pura questão de gosto mesmo. A única certeza é que este é um daqueles filmes que precisam ser vistos.

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O poderoso chefão II (The Godfather - part II)
Ano: 1974 
Direção: Francis Ford Coppola 
Gênero: Crime / drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 200 min. 
Elenco: Al Pacino, Robert de Niro, Diane Keaton.
Sinopse: Na segunda parte da saga da família Corleone são contadas duas histórias paralelas. A primeira é propriamente a continuação de O Poderoso Chefão. Agora, Michael está mais maduro e ousado no controle da família, e os Corleones tentam expandir seu império atuando na costa leste dos Estados Unidos. Paralelamente, o filme apresenta toda a infância e a mocidade de Vito Andolini, que mais tarde seria conhecido como Don Vito Corleone. Após a máfia local matar sua família, o jovem Vito (Robert De Niro) foge da sua cidade na Sicília e vai para a América. Já adulto em Little Italy, Vito luta para ganhar a vida (legal ou ilegalmente) para manter sua esposa e filhos. Ele mata Black Hand Fanucci (Gastone Moschin), que exigia dos comerciantes uma parte dos seus ganhos. Com a morte de Fanucci o poderio de Vito cresce muito, mas sua família (passado e presente) é o que mais importa para ele. Do outro lado, temos o legado de família que vai até os enormes negócios que nos anos 50 são controlados pelo caçula, Michael Corleone (Al Pacino). Agora, baseado em Lago Tahoe, Michael planeja fazer (por qualquer meio necessário) incursões em Las Vegas e Havana, instalando negócios ligados ao lazer, mas descobre que aliados como Hyman Roth (Lee Strasberg) estão tentando matá-lo. Crescentemente paranóico, Michael também descobre que sua ambição acabou com seu casamento com Kay (Diane Keaton) e até mesmo seu irmão Fredo (John Cazale) o traiu. Escapando de uma acusação federal, Michael concentra sua atenção para lidar com os seus inimigos.





quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Casablanca

Na última semana, o filme Casablanca completou 70 anos. Embora filmes embalados por romances não costumem ser meus preferidos, confesso que este é uma exceção. Não sei se pelo enredo, cujo pano de fundo é o drama da II Guerra, se pelas atuações magníficas de Humphrey Bogart e da belíssima Ingrid Bergman, se pela música envolvente, As time goes by. Talvez (e muito provavelmente), por todos estes fatores. Casablanca é definitivamente um clássico. Atemporal. Que merece ser visto e revisto.

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Casablanca

Ano: 1942
Direção: Michael Curtiz
Gênero: Romance / drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 102 min.
Elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid

Sinopse: Segunda Guerra Mundial. Muitos fugitivos tentam escapar dos nazistas por uma rota que passava pela cidade de Casablanca, no Marrocos. O exilado americano Rick Blaine (Humphrey Bogart) encontrou refúgio na cidade, e dirige uma das principais casas noturnas da região. Clandestinamente, tentando despistar o Capitão Renault (Claude Rains), ele ajuda alguns refugiados a fugir para os Estados Unidos. Quando um casal pede sua ajuda para deixar o país, Blaine reencontra uma grande paixão do passado, a bela Ilsa (Ingrid Bergman). O renascimento deste amor leva ambos a lutar para fugir juntos.






segunda-feira, 23 de julho de 2012

O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos)

Benjamin Esposito, recentemente aposentado do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal, decide escrever um livro sobre sua história. Ele usa sua experiência para contar uma história trágica, da qual foi testemunha em 1974. Na época, o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e o assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales, marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto, conta com a ajuda de Pablo Sandoval, seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings, sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta.

A determinada altura, numa das passagens marcantes do filme, Pablo Sandoval descobre, através de cartas cifradas, a paixão ilimitada do suspeito pelo Racing Club, tradicional time de futebol argentino. E, voltando-se para Benajmin, diz uma das mais belas e instigantes frases do cinema contemporâneo: “Você se dá conta, Benjamin? Uma pessoa pode mudar tudo: de cara, de casa, de família, de noiva, de religião, de Deus. Mas algo que ela não pode mudar, Benjamin: não pode mudar de paixão”. Outro ponto de destaque é a forma pela qual chega-se ao suspeito: através do olhar que ele dirige à vítima - sua amiga - numa foto, o que motiva, inclusive, o nome do filme.

O segredo dos seus olhos, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010, é uma ótima pedida, que mostra a força, a inventividade e a poesia do cinema portenho.

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O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos)

Ano: 2009
Direção: Juan José Campanella
Gênero: Drama
Origem: Argentina; Espanha
Duração: 127 minutos
Elenco: Ricardo Darín, Pablo Rao, Guillermo Francella, Soledad Villamil






terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption)

Há filmes que definitivamente nos cativam. Seja por conta de seu enredo, do roteiro, dos atores ou da produção; seja - e talvez estes sejam justamente os melhores - por uma combinação de dois ou mais destes fatores. Um sonho de liberdade se encaixa, definitivamente, neste último cenário. O filme, dirigido por Frank Darabot e baseado numa obra de Stephen King, tem um enredo empolgante (e com um final emocionante), bela produção e grandes atuações de Tim Robbins e, principalmente, de Morgan Freeman (como é de praxe). É um daqueles casos em que, se você não viu, deve correr para ver o quanto antes.

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Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption)

Ano: 1994
Direção: Frank Darabont
Roteiro: Baseado na obra de Stephen King
Gênero: Drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 144 minutos
Elenco: Tim Robbins, Morgan Freeman.

Sinopse: Em 1946, o jovem e bem-sucedido banqueiro Andrew "Andy" Dufresne (Tim Robbins) é sentenciado a duas penas consecutivas de prisão perpétua pelo assassinato de sua esposa e de seu amante, a serem cumpridas na Penitenciária Estadual de Shawshank. A prisão é comandada pelo religioso, mas cruel agente penitenciário Samuel Norton (Bob Gunton). Rapidamente, Andy se torna amigo de Ellis "Red" Redding (Morgan Freeman), interno influente, também sentenciado à prisão perpétua, que controla o mercado negro do presídio. Ao longo das quase duas décadas, Dufresne se torna protegido pelos guardas, após o agente penitenciário passar a utilizá-lo em operações de lavagem de dinheiro. Ao mesmo tempo, divide com Red o sonho de fuga.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O tempo e a melancolia em "Brokeback Mountain"

É com enorme satisfação que, no centésimo post deste blog, reproduzo uma resenha do Prof. Dr. Lourenço Leite, do Departamento de Filosofia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), intitulada "O tempo e a melancolia em Brokeback Mountain". O texto, que tece uma bela e fecunda análise do filme O segredo de Brokeback Mountain, foi publicado originalmente em 2008. Agora, o professor Lourenço o enviou gentilmente para a publicação também neste espaço, o que me deixou bastante honrado. Por isso, gostaria de agradecê-lo publicamente, e indicar também aos leitores a visita ao blog dele, http://bilenegra.blogspot.com/.

Antes da resenha, há o trailer do filme.





O tempo e a melancolia em Brokeback Mountain
(o amor é uma força da natureza)

por Lourenço Leite
Professor-adjunto de Filosofia da Universidade Federal da Bahia (UFBA)


À Heath Ledger (Ennis Del Mar),
in memoriam.

O novo Éden configurado sob a égide do império moderno contemporâneo nos aponta para um lugar no futuro ou ulterior ao presente. Todavia, ele se apresenta quando ousamos olvidar a força da natureza. Adão, antes de possuir a capacidade de discernimento, (gerador do pecado original) tinha o dom de compreender as coisas pela via do simbólico, ou seja, ao experimentar algo em seu corpo a sensação partia diretamente em direção ao espírito. Não havia a intermediação da razão para legitimar se o sentido era verdadeiro ou falso. Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal) ousaram invadir o solo sagrado da montanha Brokeback, i.é., seus corpos se tocaram com avidez desmesurada causando a chegada de Eros. A cada instante de conluio a eroticidade oriunda dos toques engendrava o pior de todos os sentimentos: o amor. Com força titânica, esse filho de Eros inflamava seus corpos, preenchia suas almas de deleite na soturna cabana da cumplicidade e trazia ao espírito a presença do absoluto. Entretanto, o Tempo não lhes permitia permanecer todo o tempo juntos. Para cada distanciamento e ausência a saudade do absoluto se tornava algo de insuportável. A megera indomável, a melancolia , tomava assento em suas vidas. Mas Ang Lee não se esquecera de trazer ao pico da montanha a presença de Euterpe vestida com os trajes do country americano. Em 2005, o mundo cinematográfico teve acesso a um dos mais belos, singelos e harmoniosos filmes sobre o amor entre dois homens do diretor Ang Lee baseado no conto de Annie Prouxl. Haja vista que filmes tais como Yossi & Jagger (Delicada Relação) de Eytan Fox ou Les Nuits Fauves (Noites Felinas) de Ciryl Collard, tenham abordado essa temática, contudo, o enfoque da melancolia, em Brokeback Mountain, ultrapasse os demais e se apresente muito original pelo fato de incluir a força da natureza in loco. Os demais estão contextualizados na esfera do urbano moderno.

Apesar do amor não ter sexo, nem cor, nem religião, nem estatura, nem formação científica, nem idade, o fato de se poder abordar o amor no âmbito de uma relação que ainda é tabu desmedido que fatalmente conduz à morte, a criatividade de Ang Lee, aliado a sua ousadia temática, consagra a real possibilidade de se iniciar uma jornada da arte cinematográfica que poderá imensamente contribuir com o estilhaçamento da homofobia. A cada mês mais de duas pessoas são assassinadas em Salvador por causa dessa peste inoculada em mentes impregnadas de vírus da hipocrisia e de intolerância. O outro, em sua real diferença e em sua inalcançável presença, continua a ser aniquilado ou rejeitado sob formas atrozes e inaceitáveis.

Nas interpretações simbólicas sobre o que significa a montanha, esse protagonista mor do filme, pode-se encontrar como sendo o centro das manifestações atmosféricas, encontro do céu e da terra, morada dos deuses, umbigo do mundo, meio de entrar em relação com a divindade e que só se deve acessá-la por intermédio de um guia, i.é., um iniciado em mistérios sagrados. Portanto, Brokeback é o lugar por excelência desse encontro com a transcendência do espírito humano que, no filme, é desencadeado pela força do amor. Mas, vale lembrar que os dois foram negligentes com a chegada desse sentimento vivido em solo sagrado. A aparição do urso que fizera Ennis cair do cavalo já prenunciara a entrada deles no templo da natureza, reino de Dioniso, senhor do tempo. Ou seja, ambos libertaram o monstro das cavernas de força primitiva. Em resposta a esse ultraje, o coiote prepara a oferenda em nome dos dois amantes sacrificando uma ovelha e desviscerando-a. O símbolo de despedaçamento (diasparagmós) é visto na mitologia como um rito de passagem por excelência, principalmente no mito de Dioniso. Isso representa o momento em que o iniciado deve se despir e se deixar fazer em partes para mais adiante se reunir de novo e atingir a compreensão do todo a partir de sua própria integridade.

O rio, contudo, separava aqueles cowboys do mundo terrestre e do mundo celeste. Havia algo, sim, entre os dois que impossibilitava esse encontro inseparável. O desejo de permanecer juntos era grande demais; o abismo entre eles precisava ser ligado por uma ponte. Mas a distância era grande demais: o visto do pai de Ennis Del Mar e de sua esposa era como o olho de Hera que não permitia a ilegitimidade de uma relação daquela envergadura. Ela poderia, sem sombra de dúvida, por em ruínas o rancho da moralidade familiar e social numa cidade que sobrevivia de enxertos formais.

A queda de Ennis Del Mar do cavalo não fora apenas porque o urso havia bramido e assustado as mulas, porém, seu urro marcava a iniciação de um rito de passagem que deveria ser anunciado brevemente a sua confirmação. A pancada na fronte e o sangue tornam-se o selo desse momento. Restava, contudo, que o alce, símbolo do crescimento e renascimento, mediador entre o céu e a terra, da velocidade e do temor, da timidez e ousadia trouxesse o temperamento melancólico sofrido pelo mal do amor ¬- essa doença incurável. Mesmo que se pusessem todos os ungüentos sobre essa ferida; que se fumassem todos os charutos; que se bebessem todos os uísques da provisão do acampamento; que se ajoelhasse diante da montanha, tudo isso era ineficaz e de nada adiantaria. A força de Eros aliada à força de Brokeback suplantaria qualquer tentativa de neutralização daquela paixão que já nascera amor. Esse filho da Fartura e da Pobreza renascia em cada sussurro no ouvido, em cada abraço semi-apertado, em cada batimento cardíaco, em cada respiração ofegante e não mais deixaria seus corpos nem suas almas. A única salvação estaria na morte! Mesmo porque, muito embora os deuses se ponham indiferentes a qualquer tipo de relação amorosa, seja homo ou hetero, eles não perdoam a mediocridade perante o amor. Segundo eles, na cama, ou seja, num enlace amoroso, não existe mais sexo como gênero; o que existe é o desejo um pelo outro que se realiza no prazer. Mas isso tem um preço, às vezes impagável em vida. O quinhão é a instalação da melancolia até que a morte se efetive. Ninguém poderá sobreviver depois de ter visto o espectro da plenitude. O lado obscuro, oriundo da tristeza do amado e do amante, cresce a cada ano e toma a forma da insuportável ausência do outro.

A montanha, assim como a interioridade dos cowboys, transforma-se como se anunciasse a chegada de uma tempestade. E chega! A estética cinematográfica de B. M. oscila entre a perfeita beleza dos picos da montanha com as passagens de mudança do tempo. O céu torna-se enublado, sombrio e tenebroso inverno. Chega, inclusive, o frio da desolação que nem os corpos podem fazer chegar o calor, mesmo que temporário. Era anunciada a hora da partida e com ela a da separação. Contudo, antes da partida, Jack precisava demonstrar, nem que fosse por uma última vez, como se laça um touro indomável. Essa aparente brincadeira, nas mãos do diretor faz do filme, a partir desse momento, uma das chaves mais importantes de abertura de um novo roteiro dentro do próprio filme. A Queda do Éden para a vida moral social. De um lado, Ang Lee engendra elementos simbólicos como a luta dos dois que faz sair sangue e se fixar em uma de suas roupas; de novo, a marca com sangue que selaria para sempre o amor de ambos. De outro, a queda adâmica em direção ao mundo das contradições, das imperfeições, da hipocrisia, da solidão, da tristeza, da incompreensão, da ausência do outro.

A sensação de poder nunca mais rever Jack Twist faz Ennis Del Mar, esse amante incondicional, vomitar quando houve a primeira separação. Seu ventre não suportava digerir sozinho aquele sentimento tão pesado e, ao mesmo tempo, tão pleno. Como iria suportar dormir sem estar laçado pelos seus braços; sem o sussurro de palavras que não se pode pronunciar; sem o sexo quente nas próximas noites frias de inverno. Era preciso retornar para sua nova Alma (Michelle Williams), porém, sem corpo e sem espírito. Não haveria nenhuma esperança, mesmo porque dois caras não poderiam, nem por hipótese, viver juntos, seja na cidade ou em um rancho isolados.

Ambos se casam, ambos têm filhos e ambos são infelizes sem a presença do outro. Quatro anos se passaram numa espera infindável antes que houvesse o primeiro reencontro. Esse silêncio fora quebrado pela chegada de um cartão postal enviado a casa de Del Mar pré anunciando a vinda de Twist. A ansiedade demonstrada por Ennis no dia da possível chegada de seu amado era estonteantemente marcada pelas bebidas e pelos cigarros emendados um atrás do outro. Mas, muito embora, aquele reencontro fatídico para a Alma de Del Mar fundasse sua separação, confirmaria com toda a impulsividade que um amor contido pode levar. Ocorre um dos beijos mais “calientes” do cinema. A sofreguidão da paixão fora tão intensa que nenhuma exterioridade teria força de impedi-los. Nada nem ninguém teriam condições de se interpor de agora em diante entre eles. O casamento de Ennis fora desfeito, o de Jack começara sucumbido pela moral burguesa. A montanha houvera-lhes amaldiçoado. Não era permitido viver aquele amor fora dos limítrofes da montanha. Somente ela poderia acolhê-los e protege-los. Lá em cima, parafraseando Nana Caymmi, “Em Resposta ao Tempo”, o tempo não se roeria com inveja deles, não os vigiaria querendo aprender como se morre de amor para se tentar reviver.

Ao se pinçar essa problemática entre amado/amante, vale perceber o que Lévinas, em seu ensaio sobre a exterioridade, intitulada Totalidade e Infinito, assegura: Não terá o amor outro termo que não seja uma pessoa? A pessoa goza aqui de um privilégio — a intenção amorosa vai para Outrem, para o amigo, o filho, o irmão, a amada, os pais. Mas uma coisa, uma abstração, um livro, podem igualmente ser objetos de amor. É que, por um aspecto essencial, o amor que, transcendência, vai para Outrem, arremessa-nos para aquém da própria imanência: designa um movimento pelo qual o ser procura aquilo a que se ligou, antes mesmo de ter tomado a iniciativa da procura e, apesar da exterioridade, onde o encontra. A aventura por excelência é também uma predestinação, escolha do que não tinha escolhido. O amor como relação com Outrem pode reduzir-se a essa imanência fundamental, despojar-se de toda a transcendência, procurar apenas um ser conatural, uma alma irmã, apresentar-se como incesto. O mito de Aristófanes no Banquete de Platão, em que o amor reúne as duas metades de um ser único, interpreta a aventura como um regresso a si. A fruição justifica esta interpretação. Faz ressaltar a ambigüidade de um acontecimento que se situa no limite da imanência e da transcendência.

Por isso que, em cada reencontro a dor aumentava e a melancolia invadia cada poro de suas peles. Restava apenas a montanha. Tudo houvera se dissipado e esvaecido ao longo de todos aqueles anos. Nada mais restava a não ser esperar. Mas Jack Twist, com sua indômita paixão, explode os últimos cartuchos com Ennis Del Mar: tudo teria sido diferente se você tivesse aceitado deixar sua esposa, a gente tivesse comprado um rancho em outro lugar e tivéssemos vivido juntos todos os dias. Mas não, você preferiu viver nesse faz de conta, nessa vidinha sem graça e sem norte...

O ato fora consumado fazendo com que Ennis Del Mar perdesse o chão e, desnorteado, chorasse as últimas lágrimas da dor do amor mais forte que Brokeback. Ambos se reconciliam e se despedem. A morte anunciada de Jack Twist é marcada pelo olhar que não mais se perde no horizonte da presença de seu amor. Dorme em pé como um cavalo. Aí Ang Lee realiza uma das mais belas tomadas fotográficas de seu filme: Ennis abraçar o pescoço de Jack por trás, tentando acorda-lo. Dessa vez não era para possuí-lo como um cavalo, mas para envolvê-lo no abraço mais carinhoso que seus braços poderiam realizar.

A morte por espancamento de Jack Twist, além de trazer a tona o preconceito lancinante da relação entre duas pessoas do mesmo sexo numa sociedade marcada por uma moral cristão-burguesa, evidencia a dor de alguém que é condenado à solidão por não ter coragem de enfrentar essa mesma sociedade. Tudo deve ser preservado em nome de uma normalidade social e em nome da moral e dos bons costumes. Cabe lembrar que há uma raiz de racionalidade grega que legitima igualmente esse modo de agir, como bem afiança Camus “... os gregos impunham à vontade o próprio cerne da razão, que, por isso, se tornou mortífera”. Não há, portanto, lugar para a ética. Se houvesse, esse tipo de moral não teria tanta força e sedimentação. Seus tentáculos de moralidade são tão perversos e tão apodrecidos que somente o tempo poderá dissolvê-los. Mas, ainda bem que o tempo não dissolve a culpa, nem o remorso. Se assim o fosse, não precisaríamos de redenção, nem de reparações, nem de justiça, nem pedidos de desculpas, nem pagamentos de indenizações.
Del Mar, para entender definitivamente a separação de Twist, vai até a casa de sua família e, pode por aquiescência de sua mãe (Roberta Maxwell) visitar o quarto de seu amado, preservado como se esperasse sua visita. É aí que Ennis encontra quase que por acaso, sua camisa suja de sangue esquecida sem premeditação no topo da montanha. Com efeito, fora Jack que houvera escondido-a para ter algo de material de Ennis no cofre de sua intimidade. Sem uso de nenhuma linguagem falada, Ennis pede a mãe de Jack para levar consigo a dita camisa como recordação. Ang Lee, magistralmente, narra, com uma ímpar sutileza os últimos gestos daquele trio órfão de filho/amado/amante que somente as imagens do cinema podem revelar. Não houve lugar para nenhuma palavra.

O nosso herói trágico como todo herói, finda sua vida sozinho. O que lhes sobra são apenas duas camisas superpostas e um cartão postal da montanha Brokeback. As lembranças não existem mais, porque o vazio deixado por Jack não cede lugar a mais nada. A melancolia não é mais um sintoma nem um estado de espírito, ela é a porta da alma de Ennis que somente através dela Jack poderá entrar de novo. Jack, eu prometo...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Uma mente brilhante (A beautiful mind)

Eis um raro exemplo de filme que supera o livro que lhe deu origem. Uma mente brilhante (no original: A beautiful mind), dirigido por Ron Howard, relata a vida do matemático John Nash, vencedor do prêmio Nobel de Economia em 1994 por conta de sua "teoria dos jogos", mas que, ao longo da vida sofreu com a esquizofrenia. Embora tenha alterado vários fatos relativos à vida e à doença de Nash por razões comerciais ou para maior efeito dramático, o que o desqualifica como uma fonte segura à biografia de Nash (o que, naturalmente, não acontece com o livro), o fato é que, ao casar a interessantíssima história do sofrimento de um gênio, com uma grande atuação de Russell Crowe, Uma mente brilhante torna-se um daqueles filmes que valem a pena ser vistos.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Perfume de Mulher (Scent of a Woman)

Em Perfume de mulher (Scent of a woman no original), Al Pacino (um de meus atores preferidos, se não o preferido) vive o papel de Frank Slade, um ex-militar cego e extremamente amargurado, que contrata um jovem e inexperiente estudante (interpretado por Chris O'Donell) para ajudá-lo a passar um fim de semana inesquecível em Nova Iorque antes de morrer. Durante o filme, no entanto, Slade deixa de lado parte seu rancor com a vida, e passa a se interessar pelos problemas do jovem.

Além de um bom roteiro, o filme tem algumas sequências fantásticas, como aquela, em que Al Pacino dirige uma Ferrari em alta velocidade pelas ruas da Big Apple. Mas, sem dúvidas, o momento mágico deste longa se dá na clássica cena (que postei abaixo) na qual Al Pacino dança o tango Por una cabeza, uma das obras-primas do argentino Carlos Gardel. I wish I could dance like that...

Enfim, para quem não viu, vale a pena assistir.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Homengem a um gênio

Estivesse vivo, Charles Spencer Chaplin teria completado 112 anos no último dia 16. Nascido em Walworth, Londres, em 16 de abril de 1889, Chaplin faleceu em 25 de dezembro de 1977, tendo dedicado mais de 70 anos da sua vida ao mundo do entretenimento. Ator, diretor, produtor, dançarino, roteirista, músico e financiador dos próprio filmes, Chaplin foi um pioneiro do cinema mudo, ao juntar mímica e comédia pastelão. Além de clássicos do cinema, como "Tempos Modernos", "O Garoto" e "Luzes da Ribalta" (esse último com uma trilha sonora maravilhosa, escrita pelo próprio Chaplin), Chaplin teve também várias frases e pensamentos marcantes. Aliás, por conta deles, o comediante foi praticamente expulso dos Estados Unidos em 1952, no auge do Macarthismo, sob a acusação de comunista (de fato, ele sempre teve posições políticas de esquerda). Em 1972, no entanto, acabou reconhecido pela academia, com um Oscar honorário pelo "efeito incalculável que ele teve em tornar os filmes a forma de arte deste século".

A seguir, destaco o trecho final de "O Grande Ditador", filme de 1940 (já na época do cinema falado), em que Chaplin faz uma sátira genial do nazismo, terminando o filme com esse discurso simplesmente fantástico. Para ver e refletir.



terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Iluminado (The Shining)

Na próxima segunda, tenho prova de francês. Informação irrelevante para um blog, certo? Também acho. Só estou dizendo isso porque, por uma espécie de coincidência do destino, as provas de francês têm me lembrado muito um filme que vi, indicado pela Angelica, e que, apesar de não ser do meu gênero preferido, realmente me arrebatou: O Iluminado, do diretor Stanley Kubrick (responsável por alguns filmes absolutamente revolucionários, como Laranja mecânica e 2001: uma odisséia no espaço). Mas, qual a relação do filme com provas de francês? Vou explicar.

Quem já fez algum curso de idiomas nessas escolas privadas, sabe que, ao final de cada semestre, se faz uma prova com o conteúdo visto e, invariavelmete, há uma redação e uma parte oral, tipo uma entrevista , a simulação de uma situação cotidiana, ou algo assim. Pois bem, nas últimas duas provas de francês que fiz, em julho deste ano e em dezembro do ano passado, contei a história de O Iluminado. No final do ano passado, havia entre as possibilidades de redação, expor a história de um filme(sabe aquele negócio de treinar tempos verbais? Pois é...). Como as outras opções pareciam fora do alcance do meu francês, resolvi escolher essa mesmo. Sou péssimo em guardar enredo de filmes, mas decidi arriscar, pois havia visto o filme há pouco, e lá fui eu narrar a saga de Jack Nicholson, no filme cujo enredo baseia-se na obra homônima do mestre dos livros de terror Stephen King. No semestre passado, na prova oral, havia novamente a opção de contar um filme. Não tive dúvidas. Contei novamente a mesma história (o professor era outro, claro). O curioso é que, nas duas vezes, eu errei vários detalhes da trama, como o maldito número do quarto proibido, entre outros. Para minha sorte, as provas eram de francês, não de cinema. 

Bem, de qualquer forma, já estou me preparando novamente. Se pintar a oportunidade, lá vou eu na segunda-feira, mais uma vez, narrar a história de O Iluminado (desta vez, espero, sem erros). É, definitivamente, minha muleta nas provas de francês rsrs. Bom, mas até lá, é melhor curtir um pouco do trailer. E, se você não viu o filme, vá correndo ver. Mesmo que não seja muito fã de terror/thriller/suspense, como eu, tenho certeza de que vai gostar.


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O Iluminado (The Shining)

Ano: 1980
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Baseado na obra de Stephen King
Gênero: Terror/suspense
Origem: Estados Unidos
Duração: 144 minutos
Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Loyd.

Sinopse: Durante o inverno, Jack Torrence (Jack Nicholson) é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). Porém, o completo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios fazendo com que Jack torne-se cada vez mais agressivo e perigoso. Ao mesmo tempo, seu filho, dotado de uma inteligência acima do comum, passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado do hotel, que também foram causados pelo excessivo isolamento dos antigos vigias. Destaque para as visões do filho de Jack das duas gêmeas mortas no corredor, enquanto ele pedalava seu triciclo. Aliás, as pedaladas do garoto pelos corredores do hotel foram homenageadas na abertura do desenho O fantástico mundo de Bobby, que passava no programa da Mara Maravilha no início dos anos 90 (quem tem uns 20 e poucos anos certamente vai se lembrar).

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Poderoso Chefão - parte I (The Godfather - part I)

Caros vistantes, confesso que ando meio sem tempo de escrever no blog com mais assiduidade e com mais profundidade. Vários compromissos, sobretudo acadêmicos, acabaram por fazer minhas últimas semanas mais corridas que o habitual, fato que deverá se repetir nas próximas.

Gostaria de falar um pouco sobre o que anda ocorrendo na campanha presidencial, do absurdo a que se chegou na questão do aborto (em que se confunde religião e saúde pública, opiniões e crenças pessoais com deveres do Estado) e como, com ela, o candidato tucano busca fugir do debate de projetos para o país (talvez, porque, como eu já disse aqui em outras oportunidades, ele não tenha um), fazendo uma campanha que só ajuda a fomentar a intolerância, o ódio e o preconceito, além de despolitizá-la completamente.

Mas, por enquanto, não escreverei nada específico a respeito. Talvez na próxima semana, se houver tempo e eu tiver cabeça. Por enquanto, deixo vocês com imagens de meu filme preferido: "O poderoso chefão - parte I". Quem não viu, deve ir correndo ver. O filme é brilhante em vários aspectos: enredo (baseado no romance homônimo de Mário Puzo), direção, (Francis Ford Coppola) atuação (Marlon Brando e Al Pacino se superam), trilha sonora (tanto a música tema, que toca no vídeo abaixo, quanto o "love theme" , ambas escritas por Nino Rota, são espetaculares), fotografia, etc. Enfim, na minha opinião (ainda que seja uma opinião de quem, na verdade, não entende quase nada de cinema! rsrs) é um dos melhroes filmes de todos os tempos. Divirtam-se!

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O Poderoso Chefão - parte I (The Godfather - part I)

Ano: 1972
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Francis Ford Coppola, Mario Puzo
Gênero: Drama/Policial
Origem: Estados Unidos
Duração: 175 minutos
Elenco: Marlon Brando, Al Pacino, Robert Duvall, James Caan, Diane Keaton.

Sinopse: Nova Iorque, 1946. Don Corleone (Marlon Brando) é o chefe de uma  das famílias mafiosas italianas mais poderosas da cidade. Tem o costume de "apadrinhar" várias pessoas, realizando importantes favores para elas (daí o nome original do filme, The godfather, em inglês, "O padrinho"), em troca de favores futuros. O comércio da máfia restringia-se, à época, a produtos  "inofensivos" como bebidas alcoólicas. Com a chegada das drogas, as diversas famílias começam uma disputa pelo novo e promissor. mercado Quando Corleone se recusa a corroborar com a entrada dos narcóticos na cidade, não oferecendo a ajuda política e policial de que dispõe, sua família começa a sofrer atentados para que mudem de posição. É nesse cenário que seu filho Michael (Al Pacino), um herói de guerra que jamais havia se interessado pelos negócios da família, vê a necessidade de proteger o seu pai e tudo o que ele construiu ao longo dos anos.