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domingo, 4 de dezembro de 2016

Chapeocense, Ferreira Gullar e o aprendizado da vida

Desnecessário dizer o quão pesada foi a semana que passou. Optei por nada escrever até agora, porque não conseguia achar palavras capazes de descrever a tragédia. Eis que, nesse domingo, também se foi o grande poeta maranhense Ferreira Gullar. E, por essas trágicas casualidades, encontrei nos versos de "Aprendizado" uma forma de expressar um pouco desse drama cheio de contradições que é viver. Drama que desvela suas entranhas justamente quando nos deparamos com a fragilidade da vida.


Aprendizado
(Ferreira Gullar)

Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão

que a vida só consome
o que a alimenta.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

As Olimpíadas foram um sucesso. Mas, e agora, como fica o nosso esporte?

As Olimpíadas foram, inegavelmente, um sucesso. Do lado de fora, mostramos, mais uma vez, do que somos capazes. Os jogos serviram para levantar um pouco nossa autoestima e recuperar nossa imagem diante de mundo, ambas tão desgastadas após o show de horrores do último 17 de abril, data da votação na Câmara dos Deputados do impeachment da presidenta Dilma. Do lado de dentro, grandes competições, descoberta de novos esportes, novos ídolos, recordes e momentos históricos que já deixam saudades.

Nesse quesito, aliás, é preciso perguntar: e agora? A pergunta é pertinente porque, apesar de ter alcançado seu melhor resultado em termos de medalhas, o esporte olímpico brasileiro tem um futuro um tanto quanto sombrio. Primeiramente, por conta de um problema crônico, que já abordei aqui no blog, logo após os jogos de Londres: a histórica falta de uma política esportiva de base, desde as escolas, que utilize o esporte em sua mais importante faceta em um país como o nosso: aquele da inclusão social. As ações até aqui arroladas nesse sentido ainda são tímidas, e estão longe de contemplar todo o potencial que temos. Quem sabe, o uso das instalações olímpicas que ficaram de legado não possam ser mais um passo rumo a esse ideal...

Ademais, no âmbito dos atletas de ponta, a situação que se avizinha pode ser catastrófica. Afinal, o governo Temer já anunciou que pretende por um ponto final nos programas de ajuda governamental aos atletas (que se estendem dos patrocínios de empresas estatais ao Bolsa-Atleta, passando também pelo acordo com as Forças Armadas). A grande maioria de nossos competidores no Rio era agraciada com algum apoio desse tipo, inclusive vários de nossos medalhistas. A melhora na classificação final, diga-se, é indissociável desse suporte, que se estende desde meados da década passada.

Caso Temer realmente extinga essa política de ajuda ao esporte, tanto sua capilarização fica extremamente prejudicada, quanto o desempenho em Tóquio 2020 corre sérios riscos de ficar aquém do que poderíamos. Por isso, passada a ressaca pós-Olimpíada, é fundamental que a sociedade, a começar pelos atletas, se organize e pressione (muito) para que a política de Estado de apoio ao esporte não seja mais uma área a sofrer os retrocessos do governo golpista.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Trocam-se os burros...

A tardia chegada de Tite ao comando da seleção brasileira equaciona minimamente uma enorme injustiça cometida em 2014. Minimamente porque, antes de qualquer coisa, o ex-treinador corintiano terá a inglória tarefa de tentar recuperar os dois anos perdidos sob o “comando” de Dunga (como se já não bastassem as sequelas deixadas pelo desastre Felipão).

Em que pese esse passivo, contudo, não tenho muitas dúvidas de que, com Tite, o Brasil deverá se classificar sem maiores sustos para o mundial da Rússia em 2018. Ainda que, vale desde já registrar, com um futebol que provavelmente decepcionará quem, como eu, acha que a seleção, enquanto patrimônio cultural de nosso país, deveria sempre ter como meta jogar um futebol vistoso – e não se preocupar com o resultado, pura e simplesmente. Mas, reconheço: na atual situação, essa discussão fica em segundo plano.

Nesse sentido, aliás, também é sempre de bom tom frisar o mais importante: conquanto a correta troca de Dunga por Tite deva resolver as questões de campo da seleção, no cômputo geral, ela representa apenas a troca dos burros. A carroça CBF, atolada em seu mar de corrupção e incompetência, permanece a mesma. E é nela que estão guardados os maiores problemas do futebol brasileiro.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Doriva?

Torço muito para estar errado, mas entendo que a escolha de Doriva para substituir o demissionário Juan Carlos Osorio entrará na lista como mais um dos incontáveis erros da tenebrosa “gestão” (sic) de Carlos Miguel Aidar.

O estilo de futebol mais retranqueiro praticado pelas equipes de Doriva em nada se assemelha àquele ofensivo promovido pelo treinador colombiano. Se a ideia, ao trazer Osorio, era buscar uma novidade (em métodos, em planejamento tático etc.), com Doriva, o SPFC escolhe o “mais do mesmo” que nada acrescenta ao futebol. Ainda assim, podemos chegar no G4 do Brasileirão ou ganhar a Copa do Brasil? Sim, claro. Celso Roth foi campeão da Libertadores pelo Inter chegando ao clube gaúcho em uma fase semifinal em 2010 (eliminando o próprio SPFC àquela altura, aliás). Mas, pensando a médio e longo prazo, o tricolor paulista parece ter escolhido o caminho da regressão dentro de campo. A mesma, aliás, que vemos escancarada fora dele.

Enfim, numa semana em que a administração Aidar naufragou de vez – registre-se: não há alternativa para salvar o clube que não passe pela saída do atual mandatário tricolor – a opção por Doriva não surpreende. Opiniões à parte, porém, só nos resta torcer. Por Doriva e pela saída de Aidar.

PS: desejo toda sorte ao Profe. Juan Carlos Osorio. Quem sabe um dia ele possa voltar, em um ambiente menos hostil, para terminar o que começou.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Tempo para trabalhar

Por falta de tempo devido aos compromissos profissionais e pela precipitação de acontecimentos no mundo político, nada havia escrito no blog a respeito de futebol e do São Paulo FC desde a saída de Muricy Ramalho, há quase três meses. Quem me acompanha nas redes sociais, porém, em especial no Twitter, sabe do apreço que tive pela contratação do técnico Juan Carlos Osorio e que nutro por seu trabalho até aqui. Agora, minimamente superada a turbulência das últimas semanas (pelo menos, assim o espero), que certamente se agravaria em caso de eliminação para o Ceará na Copa do Brasil, me parece oportuno externar uma posição mais bem embasada.

Entendo que a vinda de Osorio é o maior acerto – talvez, o único – dessa gestão desastrada, para dizer o mínimo, de Carlos Miguel Aidar. Contudo, me parece desnecessário lembrar a canalhice (para mim, é este o termo apropriado) que fizeram com o trinador colombiano, ao omitirem, no momento em que o procuraram, a situação financeira dramática que vive o clube. Com efeito, o desmanche promovido por Aidar nas últimas semanas compromete sobremaneira o trabalho de Osorio (e mesmo o próprio ânimo do técnico em permanecer no futebol brasileiro). Por conseguinte, prejudica uma avaliação mais precisa sobre ele.

Esse quadro, no entanto, só vem corroborar algo que, mesmo se não houvesse o desmanche, me parece a postura correta que a diretoria deveria seguir: dar tempo para Osorio trabalhar. Quem teve a oportunidade de morar em outro país sabe a demora que pode ocorrer no entendimento e na adaptação aos costumes, ao dia a dia do novo lugar. Para quem, como o colombiano, chega numa posição de comando, e se depara com a situação desconhecida descrita acima, essa dificuldade se agrava.

Por isso, a meu ver, o melhor a fazer, neste momento, é o seguinte: levar 2015 como der (imagino uma classificação de meio de tabela no Brasileiro e uma eliminação nas quartas ou, no mais tardar, nas semifinais da Copa do Brasil) e dar carta branca para Osorio pensar um time para 2016. Estabelecer um projeto de médio prazo, sem pressão para resultados imediatos. Ora, por quê? É verdade que Osorio não é gênio, o “Guardiola sulamericano”, ou algo assim. E, sim, ele vai errar ainda, e muito, em escalações, em acreditar em jogadores que nós, torcedores, sabemos que não têm condições de oferecer nada, em improvisos... Além disso, também terá de aguentar as trapalhadas de Aidar e sua trupe. Entretanto, Osorio é inegavelmente um trabalhador, estudioso, uma mente arejada num futebol (e num clube) que agoniza. Alguém que propõe um futebol para além da retranca e do contra-ataque, que quer fazer o SPFC jogar como o grande clube que é. E, acima de tudo, o treinador colombiano é uma reserva de bom caráter e hombridade num ambiente visivelmente putrefato.

Assim, se há um pilar que pode servir para reestruturar minimamente o há anos cambaleante São Paulo, ao menos dentro de campo, este é justamente Osorio. Mas, trata-se de um trabalho que leva tempo, ainda mais sem dinheiro para grandes contratações. Logo, de nada adianta cobrá-lo apenas pelo próximo jogo. Há de se enxergar alguns passos adiante. E, de mais a mais, nunca é demais lembrar: construir é sempre mais difícil do que destruir.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Muricy eterno!

Sobre Muricy, não podia deixar de registrar, tenho apenas duas palavras: muito obrigado!
Vá cuidar da sua saúde, porque sua história no São Paulo é eterna!

E quanto ao clube, bem, bom seria se nossos problemas se resumissem ao treinador...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Aidar e os desafios do SPFC

Uma pausa na política nacional. Não podia deixar passar a entrevista concedida à Folha, nesta quarta-feira, por Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo (leia aqui). Aidar afirma ter encontrado o SPFC “muito pior do que imaginava”, e constata o óbvio: “o São Paulo parou no tempo”. Foi justamente essa evidência que fez com que muitos – o autor deste blog, inclusive – apoiassem (em meu caso, à distância) a oposição nas eleições do São Paulo, ocorridas em abril.

Não vou entrar na questão, aqui, sobre a “traição política” de Aidar, que só venceu o pleito graças ao apoio de Juvenal Juvêncio – o mesmo Juvenal que, agora, ele acusa de ter endividado o clube além do que se sabia e de administrá-lo de modo ultrapassado. A meu ver, é pouco crível que o atual mandatário são-paulino não tivesse ciência da situação do clube e, sendo candidato da situação, soa estranha a acusação à (falta de) competência administrativa de seu predecessor. No entanto, o que mais me interessa, nesse momento, é sua salutar disposição em mudar os rumos do clube nos próximos anos: equacionar as dívidas e impor uma administração mais profissional, sem descuidar do time de futebol – que é a razão de existir do SPFC.

Como o próprio presidente reconhece, a tarefa é difícil. Mas, felizmente, os alertas que muitos faziam há tempos em relação ao anacronismo representado por Juvenal Juvêncio, foram captados por Aidar. Que ele consiga, então, recolocar o São Paulo em sua trilha natural de conquistas, fazendo do clube, novamente, um modelo para os demais. É o que os são-paulinos mais desejam!


segunda-feira, 21 de julho de 2014

É disso que o futebol brasileiro precisa?

Quem esperava alguma sinalização de mudança após o fiasco da seleção brasileira na Copa do Mundo, certamente se decepcionou com os últimos acontecimentos no reino da CBF. Sabidamente, uma mudança radical exigiria, como primeiro ato, a saída da cúpula que comanda nosso futebol – algo que todo mundo sabe que não acontecerá num futuro breve. No entanto, alguns passos mínimos, ainda que restritos ao âmbito da seleção brasileira (única coisa que interessa a Marins e Del Neros da vida), poderiam dar fôlego àquela esperança. Mas, o que vimos, em minha opinião, foi seu sufocamento.

Primeiramente, com a escolha de Gilmar Rinaldi como coordenador geral de seleções. Retomando a pergunta que motiva o post: é de um coordenador como Gilmar que nosso futebol precisa? A resposta, a meu ver, é negativa. E explico o porquê.

Empresário de atletas até a véspera de sua indicação, e tendo como única experiência uma passagem rápida e não muito feliz pelo Flamengo no distante 1999, o ex-goleiro do rubro-negro carioca e do São Paulo não me parece um nome adequado para a função, justamente pelo evidente conflito de interesses entre sua carreira pregressa e sua nova função. Não se pode esquecer que seu grande feito na passagem pelo Flamengo foi ter “descoberto” dois jogadores dos quais viria a ser empresário tão logo saísse da Gávea: o atacante Adriano e o zagueiro Juan.

Não quero dizer que isso vá acontecer novamente; tampouco estou insinuando que Gilmar seja pessoa de caráter duvidoso. Longe disso. Mas, como diz o ditado, não basta ser honesto, é preciso parecer. E é claro que qualquer atitude que minimamente sugira um favorecimento futuro do ex-empresário ou de atletas a ele ligado, será vista com enorme desconfiança por parte dos torcedores e da imprensa. E num momento de extrema falta de credibilidade do futebol brasileiro, o que menos precisamos é que esse tipo de suspeita fique pairando no ar...

Para se somar a Gilmar, a CBF anuncia amanhã o retorno de Dunga como novo técnico da seleção. Referindo-me mais uma vez à pergunta título desta postagem: é Dunga o técnico para este momento delicado do futebol brasileiro? Antes de uma resposta, é preciso refletir.

Por um lado, é verdade que a seleção de Dunga foi possivelmente a melhor que vimos depois de 2002. A mais sólida e a mais competitiva. Apesar de erros crassos em suas convocações (de Afonso Alves à ausência de Neymar na Copa de 2010, dentre outros), Dunga montou um time que poderia ter saído vitorioso na África do Sul – o único título entre os “profissionais” que não conquistou no comando da seleção – não fosse o péssimo segundo tempo do jogo contra a Holanda. Para os mais pragmáticos, portanto, a escolha seria legítima.

No entanto, é preciso examinar algumas coisas. Em primeiro lugar, que as dificuldades daquele fatídico jogo contra os holandeses, em 2010, foram, em grande parte, frutos diretos de erros do próprio Dunga. Afinal, foi ele quem levou para aquele mundial, por sua própria vontade, por estar “preso” a alguns jogadores, um banco de reservas visivelmente abaixo da média – portanto, potencialmente inoperante em caso de alguma dificuldade, como se comprovou naquela quarta-de-final. Some-se a isso o fato de que  o único trabalho de Dunga nos últimos quatro anos, no Internacional em 2013, tenha sido um retumbante fracasso. Deste ponto de vista, mesmo a visão pragmática que justificaria a escolha do capitão do tetra pode ser contestada.

Além disso, há aqueles que defendem a escolha de Dunga pela isonomia com que tratou os meios de comunicação durante sua passagem como técnico da seleção. Trocando em miúdos: não concedeu privilégios à Rede Globo. Naturalmente, essa postura me agradou. Mas, por si só, essa posição – cujo caráter extraordinário, aliás, demonstra que o buraco do nosso futebol é mais embaixo – não basta. A meu ver, é preciso mais para conduzir a seleção brasileira.

Nesse sentido – e é este o ponto que mais me incomoda – me parece claro que o problema da seleção, e em grande parte, do futebol jogado em nosso país, é principalmente de ordem conceitual. Precisamos, há tempos, desenvolver um novo conceito de futebol, que absorva o que temos (ou tivemos) historicamente de melhor – o talento individual, a capacidade de drible e improvisação – com as exigências táticas do futebol contemporâneo. Uma nova cultura de jogo e de compreensão do esporte. Para isso, é preciso treinamento, estudo, aperfeiçoamento, trabalho duro. Até porque, há de se reconhecer que nossa safra não é das melhores (uma das expressões mais bem acabadas, diga-se, dos problemas estruturais de nosso futebol, os quais não temos condições de examinar aqui, mas que são bem conhecidos por todos – um deles, aliás, foi mencionado en passant no parágrafo anterior).

Ora, me parece que, ao resgatar Dunga, a CBF se encaminha em sentido oposto: fecha os olhos para a necessidade de uma revisão conceitual de nosso futebol – algo que Dunga demonstrou não ter condições de fazer - em nome de uma estratégia imediatista, semelhante àquela adotada por Felipão no último período: apostar no poder da camisa amarela, na mística da seleção brasileira, no “nós contra eles”, no futebol como guerra. Troca-se o trabalho por um atalho. Pode dar certo? Em termos de resultado, sim. É futebol, é um jogo, e a seu modo, o futuro time de Dunga pode se encaixar, ganhar confiança e conquistar seus objetivos. Mas, outra vez, é preciso voltar à questão central: é isso o que precisamos, pensando no papel que a seleção brasileira poderia ou deveria desempenhar na formatação geral de nosso futebol? Neste caso, não vejo como responder, senão negativamente.

De tudo isso, a conclusão que se impõe é clara – e infeliz: estamos, mais uma vez, desperdiçando uma oportunidade de ouro de recuperar o prestígio e o brilho de um dos maiores patrimônios culturais do povo brasileiro.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Parabéns, Alemanha!

Numa final emocionante, a Alemanha se sagrou tetracampeã do mundo de futebol. Confesso que torci para a Argentina nesta decisão, e entendo que os sul-americanos tiveram as melhores chances para definir a partida. Não o fizeram, e o jovem Mario Götze foi implacável no segundo tempo da prorrogação. Título justo pelo conjunto da obra alemã. A taça da Copa das Copas (aquela que diriam que não aconteceria, lembram?) está em boas mãos!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A Copa, a final e a cartinha da dona Lúcia

A verdade é que organizamos uma Copa extraordinária! Inesquecível, elogiada por todos, a Copa do Mundo provou, para quem quisesse ver, a nossa capacidade. Vencemos o pessimismo, o complexo de vira-latas, e mostramos ao mundo que nosso país e nosso povo são fantásticos. Dentro de campo, para completar, jogos emocionantes e de alto nível. Mais ainda: chegaram à final duas seleções gigantes e merecedoras, que vão coroar brilhantemente este torneio fantástico, independente da vencedora (creio que será a Alemanha, embora torça pelo tri da Argentina).

Mas, como nem tudo é perfeito, há dever reconhecer que nossa seleção, em nenhum momento, mostrou um futebol à altura da competição que tão bem organizamos. Reflexo, sobretudo, da decadência técnica, tática, administrativa, estrutural, que há tempos castiga nosso jogo e nossa paixão. Dói, porém, constatar que, para a CBF, para Felipão e Parreira, tudo parece estar bem. A humilhação do 8 de julho de 2014, na visão dessa gente, foi um acaso, um acidente de percurso. Para eles, somos e sempre seremos os melhores pelo simples fato de que um dia o fomos. Como se a superioridade do futebol brasileiro fosse uma categoria ontológica. Esquecem que o tempo passa e as coisas mudam. Que os outros evoluem e se aprimoram enquanto seguimos sentados em nossas conquistas e em nossa (cada vez mais injustificável) soberba. A patética coletiva dada pela comissão técnica nesta quarta-feira - que apenas se comportou como submissa porta-voz de nossa cartolagem - mostra que são incapazes de aprender algo. 

Nada surpreendente, porém, para quem acompanha o futebol doméstico e conhece o espírito conservador e reacionário das pessoas que o comandam, dentro e fora das quatro linhas. Essa gente ainda vive no pretérito - e quer que nosso futebol fique por lá. Embora ultrapassados pela realidade, ainda alimentam a ilusão de que os 7 gols da Alemanha (na verdade, tudo o que eles representam e escancaram) podem ser sepultados num passe de mágica, pela "mística da amarelinha", ou pela cartinha da dona Lúcia. É mesmo a cara deles.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

4 gigantes!

E chegamos às semi-finais! 4 gigantes. Prognósticos? Praticamente impossível! Mas, vamos tentar alguma análise sobre os dois grandes jogos que decidirão os finalistas da Copa das Copas.

Brasil x Alemanha – evidentemente, a ausência de Neymar é um ponto negativo para o Brasil. A de Thiago Silva, idem. Isso, porém, está longe de conceder ao ótimo time alemão todo o favoritismo, uma vez que, a meu ver, o Brasil entrará com um gás extra nesse jogo. Desvantagem técnica compensada pela superação. Por isso, entendo que se trate de uma disputa igual: 50% de chances reais para cada lado. Fator decisivo, pensando do ponto de vista brasileiro, será como (ou se) Felipão vai conseguir armar o time sem sua principal estrela. De qualquer forma, teremos de nos desdobrar para passar. Mas, é possível.


Holanda x Argentina – embora torça para que os hermanos façam a final conosco, creio que a Holanda tem um leve favoritismo nesse confronto. Coisa de 55% a 45%. Isso porque, vejo os holandeses com um time mais equilibrado. E a ausência de Di Maria deve pesar contra os sul-americanos. Mas, quem tem Messi, sempre pode sonhar.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Sobraram oito

Estamos chegando à reta final da Copa das Copas! Como fiz na fase anterior, seguem os palpites jogo a jogo das quartas de final.

França x Alemanha – sem dúvida, o jogo mais chamativo dessa fase. A França surpreendeu até aqui. Me lembro que, no ano passado, quando estava morando lá, percebia uma enorme desconfiança dos franceses (muitos nem acreditavam na classificação para a Copa!). A equipe fez um jogo difícil contra a Nigéria nas oitavas, mas passou ainda no tempo normal, o que pode fazer toda a diferença. A Alemanha deve estar mais desgastada depois do surpreendentemente duro embate contra a Argélia, decidido na prorrogação. Mas, a meu ver, tem uma seleção mais forte (apesar da teimosia de Joachim Low, que insiste com Philippe Lahm como volante, quando o mundo todo clama que ele jogue pela lateral direita, onde sempre se destacou). Puro chutômetro: passam os germânicos. Mas não sem uma alta dose de emoção. Ou seja, acho que teremos pênaltis ou, pelo menos, uma prorrogaçãzinha para descobrir o primeiro semifinalista.

Brasil x Colômbia – todo mundo sabia que o jogo contra o Chile seria difícil. O que poucos, ou ninguém esperava, é que o Brasil teria uma atuação tão abaixo da crítica, especialmente no segundo tempo e em parte da prorrogação. Acho que dificilmente repetiremos um jogo tão ruim na sequência. Além disso, a ótima Colômbia de James Rodríguez deve possibilitar um jogo mais aberto, o que pode favorecer ao ataque brasileiro. As precauções são óbvias: assim como eles deixam jogar, os colombianos também jogam. E bem. E, ao contrário de muitos, não ando muito confiante na zaga nesta Copa. Temos tomado gols bobos, que podem custar caríssimo. Contudo, Felipão sinaliza uma alteração nesse setor, adotando o esquema de três zagueiros. Para isso, sacaria Fred do time, deixando Neymar como “falso nove”. Acho que pode funcionar. Mas, confesso que me preocupou o exíguo número de treinamentos nessa semana. Depois do que apresentamos contra o Chile (e na Copa, em geral), acredito que Felipão deveria ter trabalhado mais com os jogadores (os titulares só foram treinar na quarta-feira pela manhã, 3 dias depois do jogo das oitavas!).

Há ainda a tão decantada questão emocional. Que há um problema no time, me parece óbvio, só não enxerga que não quer. Os jogadores, a meu ver, ultrapassaram o limite entre a emoção do jogo e da conquista para o descontrole. E entendo que Felipão e Parreira, com as infelizes declarações de favoritismo pleno do Brasil antes da Copa, são responsáveis diretos por esse imbróglio. O treinador sabe do problema que arrumou, e corretamente chamou ajuda especializada. Resta, enfim, saber se houve tempo hábil para a necessária recuperação, psicológica e técnica/tática. De qualquer forma, em que pesem estes problemas, e o ótimo futebol apresentado pela Colômbia até aqui, acho que o peso da camisa brasileira falará mais alto, e chegaremos às semifinais. Mas, não me surpreenderia mais com uma eliminação.

Argentina X Bélgica – à parte a questão emocional, os argentinos parecem sofrer do mesmo mal da equipe brasileira: um time não muito ajustado, apresentando um futebol abaixo das expectativas e que deposita tudo no talento de seu principal jogador. No caso de nossos vizinhos, a dependência em relação a Messi parece ainda maior do que a brasileira em relação a Neymar (que já é grande). Até aqui, meio aos trancos e barrancos, deu certo. Mas, o confronto diante da Suíça mostrou que é possível parar Messi. No entanto, mostrou também que é preciso pará-lo os 90 minutos. Ou os 120, pois uma bola, mesmo nos últimos instantes da prorrogação, pode ser fatal. E tenho dúvidas se a Bélgica tem um esquema defensivo tão forte. Contudo, seu ataque é poderoso, como mostrou o jogo contra os EUA, em que os belgas finalmente fizeram jus às expectativas criadas, antes da Copa, em relação ao time. Não fosse a atuação magnífica do goleiro norte-americano Tim Howard, o time de Hazard e cia. teria goleado. Deveremos, enfim, ter um jogo mais aberto, e cheio de alternativas. E novamente, assim como no caso brasileiro, creio que a tradição falará mais alto e a Argentina passará. Mas, uma vitória belga estará longe de ser surpresa.


Holanda x Costa Rica – em tese, o jogo mais desigual. Mas, achava que a Holanda passaria até com alguma tranquilidade contra o México, e o que vimos foi exatamente o oposto. No entanto, acho que a boa seleção da Costa Rica bateu no seu teto. Logo, os holandeses devem passar, mas deverão sofrer com a provável dura marcação dos costarriquenhos. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Agora, é decisão!

Acabou a primeira fase da Copa do Mundo mais espetacular das últimas décadas! Dentro e fora de campo, o mundial tem sido um show. Verdadeiramente, a Copa das Copas, como bem havia denominado, ainda antes de seu início, a presidenta Dilma.

Em primeiro lugar, pela organização excelente, elogiadíssima pelos estrangeiros, e que calou a boca daqueles setores da mídia que, imbuídos do típico vira-latismo de nossa elite e da classe média que a acompanha ideologicamente, propagavam há tempos que a Copa seria um desastre e que passaríamos vergonha. Além disso, o carisma e a acolhida do povo brasileiro têm feito toda a diferença. E, para completar, nas quatro linhas, tudo ainda melhor: um torneio de alto nível técnico, com momentos épicos, zebras, grandes jogadas e, acima de tudo, jogos emocionantes e muitos gols!

Eu, como a maioria, fui surpreendido pelo desempenho de algumas seleções. Negativamente, no caso de Inglaterra, Itália, Portugal e, sobretudo, da Espanha. Positivamente pelos sul-americanos (Colômbia e Chile, em especial, mas também o Uruguai) e por times como Holanda, França, a surpreendente Argélia e a zebra das zebras, Costa Rica.

Mas, é chegada a hora da decisão. Então, vou arriscar novamente alguns prognósticos para as oitavas-de-final. Dessa vez, jogo a jogo:

Brasil x Chile – é verdade que o Brasil não está jogando o que jogou nas Copa das Confederações, e a dependência de Neymar fica a cada dia mais evidente. Além disso, o Chile é inegavelmente uma boa seleção. No entanto, depois do que vi na primeira fase, mantenho que nossa seleção continua favorita ao título e, portanto, deve passar pelos chilenos, nossos fregueses históricos;

Colômbia x Uruguai – seria um confronto equilibrado se Uruguai contasse com Suárez. Sem ele, a Colômbia, que apresentou um futebol empolgante na fase de grupos, é favorita. Mas, a desproporção da pena aplicada ao uruguaio por sua mordida em Chiellini (achei correta a punição, mas bastante exagerada a medida adotada, de 9 jogos mais quatro meses afastado do futebol) pode servir de combustível extra aos uruguaios, que já têm feito uma Copa histórica;

Holanda x México – uma das melhores seleções até o momento, a Holanda deve passar até com alguma tranquilidade (dentro do que é possível em um jogo como esse);

Costa Rica x Grécia – jogo mais do que imprevisível. A Costa Rica mostrou mais força do que qualquer um poderia imaginar ao sair em primeiro no “grupo da morte”. Mas, exatamente por isso, agora entra como favorita, tendo que propor o jogo, o que pode pesar contra. De qualquer forma, torço pelos hermanos costarriquenhos;

França x Nigéria – surpreendentemente, a França foi uma das melhores seleções da primeira fase. O jogo é duro, a Nigéria mostrou qualidade, especialmente no jogo contra a Argentina, mas acredito que os bleus passem.

Alemanha x Argélia – os germânicos são naturalmente favoritos. Contudo, a raça demonstrada pelos argelinos, somadas a sua boa técnica, pode minimizar um pouco a aparente facilidade. Ainda mais em uma Copa tão cheia de surpresas. Mas, a tricampeã deve se classificar;

Argentina x Suíça – Messi tem feito a diferença. No entanto, a zaga argentina, sem trocadilhos, parece um queijo suíço, o que compromete decisivamente o equilíbrio do time. Por outro lado, os europeus têm qualidades ofensivas, é verdade, mas, especialmente contra a França, também apresentaram importantes falhas na defesa, que devem ser fatais diante do melhor do mundo. Por isso, creio que a Argentina deve avançar;

Bélgica x EUA – os belgas mais prometeram do que entregaram até aqui. Exatamente por isso, o confronto se torna equilibrado. Mais ainda: se a Bélgica jogar o que jogou na primeira fase, não me surpreenderia com uma classificação norte-americana.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vai começar a Copa! Quem vence?

E amanhã começa a Copa do Mundo no Brasil! Desde a fase final de preparação das seleções, essa Copa tem sido um espetáculo. A saída das seleções de seus países, a recepção entusiasmada por parte dos brasileiros, a curtição de jogadores de vários países com o clima, a torcida e as tradições locais – que já geraram imagens inéditas e insólitas, como a dos alemães uniformizados e cantando o hino do Bahia, ou os holandeses jogando frescobol na praia – são uma amostra do que está por vir. Sem dúvidas, e em que pese os inegáveis problemas em sua preparação, essa Copa promete!

Mas, como o principal da Copa é a bola rolando, e como não poderia deixar de ser, este blog também arrisca, humildemente, alguns palpites sobre os resultados esportivos.

Sem qualquer “pachequismo” (e quem me conhece sabe que não tenho vocação para isso), entendo que o Brasil é o grande favorito à conquista da taça. Não apenas pelo bom futebol que vem demonstrando desde a Copa das Confederações, pela sólida defesa, um meio campo forte e com bons jogadores e um bom ataque com Fred e, sobretudo, Neymar, mas pela soma de diversos e já conhecidos fatores: dono da casa, apoio da torcida, desfalques importantes em alguns concorrentes, estrela de Felipão.... Num segundo grupo, colocaria Argentina, Alemanha e Espanha, nesta ordem. Aliás, seria um coroamento para o futebol que esta Copa tivesse Brasil e Argentina na final. Na sequência, listaria Itália, França, Inglaterra, Holanda e Uruguai como seleções que podem ir longe, mas com poucas chances de título. Há também as candidatas a surpresa, que invariavelmente aparecem e chegam até as semi-finais. Bulgária em 1994, Croácia em 1998, Turquia em 2002, Portugal em 2006, Uruguai em 2010. Creio que Bélgica e Chile, podem cumprir este papel. Talvez a Bósnia também possa se candidatar a essa vaga, bem como Portugal, a depender das atuações de Cristiano Ronaldo.


Como se vê, nada de muito diferente da opinião corrente. Mas, o que mais importa, é que a qualidade do espetáculo seja de alto nível, como todos esperamos e merecemos. Repito: essa Copa promete – e muito. Não apenas grandes imagens, mas, sobretudo, grandes jogos e fortes emoções!

terça-feira, 29 de abril de 2014

20 anos. Mas parece que foi ontem

Como fazia com frequência, naquele domingo eu tinha arrumado meus carrinhos no tapete da sala e demarcado ali, com alguns objetos da minha mãe, um circuito de corridas. Enquanto os carros de Fórmula-1 disputavam na pista de Ímola, eu, embalado por minha imaginação juvenil, reproduziria a corrida na sala de casa. O campeonato, é verdade, não estava dos mais animadores. Depois de anos na McLaren, Senna havia trocado a clássica escuderia inglesa pela Willians, à época, a melhor do campeonato. No entanto, as primeiras corridas tinham sido desanimadoras. O GP de Ímola era a chance de recuperação. Com 6 anos no tri-campeonato de Ayrton, eu sonhava em ver Senna, mais uma vez, campeão. Agora, mais consciente do que isso significava.

TV ligada e carrinhos a postos. Um olho lá, outro cá. Foram milésimos de segundos que separaram um último movimento nos carrinhos e a frase marcante de Galvão Bueno, “Senna bateu forte!”. Em poucos minutos, o inimaginável se tornava cada vez mais real. Chamei minha mãe e saí correndo de casa. Meu pai, naquele dia, acompanhava um jogo de futebol amador em um campo de várzea a alguns quarteirões de casa. Cheguei lá correndo. Com a frase que ninguém sonhava que seria dito naquele domingo, 1º de maio de 1994: “Pai, o Senna morreu!”. Não só ele, como outras pessoas ali na arquibancada, me olharam assustados. “Não é possível”, diziam. Ou pensavam. Mas era.

À tarde, fui até a casa dos meus avós, e vi meu tio em lágrimas. Não só ele. O Brasil inteiro estava. O golpe havia sido duro demais. Ayrton Senna havia partido. Os domingos não seriam mais os mesmos. O automobilismo não seria mais o mesmo. Acho que nem nós seríamos mais os mesmos.


sábado, 19 de abril de 2014

Descanse em paz, Luciano

Pra mim, a narração mais marcante de Luciano do Valle. Eu tinha 7 anos. E nunca mais esqueci.

"O cara" dos esportes no Brasil, do show do esporte, de tantas boas lembranças narradas por sua voz - sem dúvidas, a melhor da TV. Valeu, Luciano! E descanse em paz.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mais do mesmo

No último sábado, a eleição para novos conselheiros do São Paulo praticamente sacramentou a vitória da situação e de seu candidato à presidência, Carlos Miguel Aidar, nas eleições do próximo dia 16. Uma verdadeira lástima.

Aidar representa o continuísmo de práticas e ideias que fizeram o tricolor paulista retroceder incrivelmente nos últimos anos. Aliás, a melhor definição sobre o que representa a vitória de Aidar foi dada não por um são-paulino, mas por um ilustre rival, o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que declarou em recente entrevista à ESPN Brasil: “Para o Corinthians é melhor que ganhe o Aidar. O Abdalla e o Marco Aurélio Cunha [respectivamente, candidato à presidência pela oposição e provável diretor de futebol no caso de uma derrota da chapara situacionista] são mais modernos. O Aidar vai continuar tudo da forma que vocês sabem”. Creio que não precise dizer mais nada. Até um arqui-rival percebe que o São Paulo precisa reencontrar seu caminho.

Contudo, a essa altura, só resta aos são-paulinos torcer por um mínimo de bom senso de Aidar – bom senso que Juvenal havia perdido completamente nos últimos anos –, o que poderia evitar um cenário, a meu ver, extremamente preocupante. Infelizmente, no entanto, as recentes declarações do provável novo presidente no que diz respeito à “qualidade” do elenco, sua postura em relação aos rivais (especialmente a obsessão infantil em cutucar sem motivo o Corinthians) e sua ligação íntima com a CBF (entidade da qual é advogado) não sinalizam a mudança que o São Paulo precisaria para os próximos anos.

Atualização: com desistência de última hora de Kalil Rocha Abdalla (com o intuito de impedir o quórum  no Conselho para a votação da cobertura do Morumbi), Carlos Miguel Aidar foi proclamado o novo presidente do São Paulo. Não retiro nada do que disse no post de semana passada sobre o novo presidente. Mas lamento - e muito - o papelão do candidato da oposição ao desistir covardemente momentos antes do pleito. Demonstrou não estar à altura de presidir um clube da grandeza do São Paulo (16/04).

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

SPFC em 2014: até aqui, só incertezas

Amenidades antes do Carnaval...

Nesta semana me dei conta de que não havia escrito nada sobre futebol neste ano. Talvez, por não sentir firmeza ainda em como será o ano futebolístico do São Paulo. Quer dizer: qual será o São Paulo de 2014? Aquele modorrento dos primeiros jogos do Paulista? Ou o que se apresentou nas duas últimas partidas, que embora longe do ideal, mostrou mais disposição e criatividade, dando sinais de evolução? Talvez, o mesmo tom do questionamento valha para Ganso e Luis Fabiano. E Pato (que eu não contrataria, mas...): como será sua trajetória no tricolor paulista?

Por enquanto, apenas perguntas, nenhuma certeza. Acho que o elenco ainda precisa de ajustes, mas pelo que tenho visto dos adversários, se todos os jogadores derem seu máximo, o São Paulo poderia fazer um bom papel neste ano. Afinal, o plantel está fortalecido em relação a 2013, temos técnico, e este jura que o ambiente está melhor do que no ano passado. Com mais um atacante para a reserva do Luis Fabiano e outro zagueiro titular, as expectativas seriam ainda mais promissoras. O problema é que se trata de um grupo de jogadores (desde o ano passado) em que não se pode confiar. Grupo que oscila demais e invariavelmente fracassa na hora H. Vejamos como será em 2014 – ano que, é sempre bom lembrar, marcará o fim (ufa!) dos oito anos da era Juvenal Juvêncio. Ganhe situação ou, principalmente (como torço), ganhe oposição, a tendência é que haja alguma chacoalhada, em maior ou menor grau, pelos lados do Morumbi. Espero, claro, que independente de sua amplitude, ela seja positiva.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Direito, justiça e esporte: a vergonha consumada

O Direito não é uma ciência exata. Longe disso. Fosse assim, não haveria necessidade de processos, advogados, teses, análise de dolo etc. bastaria um aplicador de penas e pronto. Não é assim, justamente porque o direito não se reduz à aplicação pura e simples da “letra fria da lei”. O Direito visa, acima de tudo, garantir a promoção da justiça. Mas, nem sempre a aplicação automática do que está escrito em um código jurídico significa necessariamente promover um julgamento justo. Até mesmo porque todo julgamento envolve uma disputa entre versões e narrativas empreendidas por lados muitas vezes desiguais (em poder econômico, influência, força etc.).

O caso da Portuguesa é um exemplo notório disto. O alegado erro do time paulista não a isenta de culpa. Poderia pagar uma multa ou começar o campeonato de 2014 com quatro pontos negativos. No entanto, penalizá-la com um rebaixamento, diante da evidente falta de dolo na escalação irregular de Héverton e, mais ainda, garantir, com isso, a permanência de outro time – notoriamente mais forte política e esportivamente – que não foi competente para fazê-lo dentro das quatro linhas, é de uma injustiça sem precedentes. Pois, mesmo que se alegue que, com aquele veredicto, tenha sido aplicada a “letra fria da lei”, fica claro que a decisão do campo, (que deveria ser) soberana no âmbito desportivo, foi convenientemente alijada pelos tribunais – ao preço do próprio sentido do Direito.

Ainda não temos certeza de quais serão os desdobramentos do caso. Provavelmente, a Portuguesa recorrerá de vergonhosa decisão (ao pleno do STJD, à Comissão Arbitral do Esporte, ou inclusive à justiça comum), podendo mudar a configuração do campeonato de 2014. O fato é que todos sabemos quais foram os clubes rebaixados, no campo, no campeonato Brasileiro de 2013. Se o Fluminense estiver presente na primeira rodada da série A de 2014, um legalista até poderá dizer que a lei foi cumprida. Jamais poderá dizer, porém, que a justiça foi feita.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Rapidinhas sobre os grupos da Copa

Muita água ainda passará por debaixo da ponte até o dia 12 de junho de 2014, quando Brasil e Croácia derem início à Copa do Mundo. Fase das seleções, eventuais cortes por lesão etc. Por isso, acho precipitado tecer um prognóstico mais minucioso sobre o torneio desde agora. Contudo, após o sorteio de ontem, algumas rápidas observações já podem ser feitas.

Seguindo a opinião quase unânime, também creio que o Brasil teve sorte e caiu em um grupo que, se não é “baba”, também está longe de trazer grandes dores de cabeça. O México, talvez o adversário mais perigoso, especialmente por seu retrospecto contra nossa seleção, se classificou aos 30 minutos da prorrogação. Camarões vive em meio a um ambiente turbulento e seu principal astro, Samuel Eto’o, já não é mais o mesmo. E a Croácia, classificada na repescagem europeia, não parece ter time para repetir o feito de 1998, quando chegou em terceiro lugar no mundial da França. Assim, imagino que não teremos problemas (7 a 9 pontos de previsão), ficando absolutamente em aberto a disputa pelo segundo posto.

O grupo B, que cruz com o do Brasil, sim, traz problemas. Pensando em oitavas de final, tanto Espanha quanto Holanda seriam paradas duríssimas, mesmo se ambas não estejam no mesmo nível de 2010, quando decidiram o Mundial, com vantagem para os espanhóis. De qualquer forma, seria jogo entre grandes, o que é sempre arriscado. Vale ainda lembrar que, em 2010, a Holanda também não era franca favorita e, quando pegou o Brasil... Por isso, não seria nada ruim que o Chile desbancasse uma das favoritas deste grupo, e nos enfrentasse no primeiro jogo eliminatório. Até porque, depois,a  tendência é só vir pedreira.

No mais, o critério adotado pela Fifa, que fez Colômbia, Bélgica e Suíça cabeças de chave, a meu ver, desequilibrou os grupos. O grupo D, sem dúvida, é o mais complicado, com três campeões mundiais (Uruguai, Itália e Inglaterra). Embora torcendo pela celeste, creio que os europeus tenham mais chances de se classificar. O grupo G, com Alemanha, Portugal e EUA também não será fácil. No mais, não creio que haverá grandes surpresas, e os grandes, como Argentina ou França, deverão passar em primeiro.

Por fim, já adianto que adoraria ver uma final (plenamente possível pelo chaveamento) entre Brasil e Argentina. Seria o coroamento dessa Copa que, todos esperamos, será uma das melhores de todos os tempos.