domingo, 17 de julho de 2011

1 ano de blog

Pablo Neruda, certa vez, disse que “escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as idéias”. Quando se é Pablo Neruda, deve ser mais fácil colocar as ideias entre uma letra maiúscula e um ponto final. Quando não...

Brincadeiras à parte, o fato é que escrever é uma tarefa ao mesmo tempo muito prazerosa, mas muito difícil. Eu sempre gostei de escrever, e sempre acreditei que meu futuro estaria ligado a essa arte. Sempre sonhei em poder ganhar a vida escrevendo (até porque, não sou muito hábil para outras coisas rsrs). Só não sabia o que eu escreveria! Descobri que gosto de tantas coisas, que seria impossível, para mim, passar o resto da vida, por exemplo, escrevendo apenas artigos técnicos de filosofia ou de alguma outra área acadêmica.

Por isso, já alguns anos, motivado pelo boom de espaços públicos na Internet, comecei a cogitar a ideia de dar início a um blog com conteúdo plural. No entanto, como também não gostaria de ter um espaço com atualizações esporádicas, demorei muito para colocá-lo na rede. Tinha o compromisso, para comigo mesmo, de criar uma página na qual eu pudesse colocar tudo o que penso e sinto, mas com alguma regularidade. Até para poder desenvolver minha capacidade de transmitir ideias e sensações para além das amarras das regras da ABNT, ou da cientificidade das revistas especializadas.

E há exatamente um ano, depois de relutar por tanto tempo, consegui iniciar esse blog. Confesso que, às vezes, não é fácil. Não só porque me cobro a atualizá-lo com alguma frequência, mas porque dar vazão a pensamentos, sentimentos e emoções publicamente, sobre assuntos tão diversos, requer uma dose de coragem, esforço e paciência. Mas, até aqui, tem sido uma experiência fantástica! E, por isso mesmo, gostaria de agradecer a todas e todos que apoiaram minha ideia (a Angelica em primeiro lugar, que me incentivou desde o início a começar), que passaram alguma vez por aqui, que deram uma palavra de incentivo, ou teceram alguma crítica construtiva. O número de acessos (quase 7000 em um ano) superou – e muito – minha expectativa. Só tenho, portanto, a agradecer, e convidar a todos que voltem aqui mais vezes. O espaço também é de vocês!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia Mundial do Rock

"Não dura até junho". Essa frase, estampada numa edição de 1955 da revista Variety, pouco após o lançamento de Rock around the clock, de Bill Halley, tentava confortar os pais sobre a efemeridade da nova moda que fazia a cabeça dos jovens, o tal de rock and roll. Para nossa sorte, a profecia passou muito longe da realidade. O rock muda, se recicla, cria novas ramificações, mas o fato é que ele nunca morre (embora não faltem tentativas para isso). Talvez, justamente por essa elasticidade, ele seja o estilo mais propício a expressar, de maneira universal e com uma atitude inigualável, as diversas dimensões de nossa existência. Amor, angústia, alegria, descontentamento, crítica social, dor, raiva, desejo, vontade de festejar, de chorar, de gritar, de perambular pelas ruas, de compartilhar sua felicidade ou de mandar tudo às favas, há sempre um bom rock capaz de servir de trilha sonora para qualquer momento de nossas vidas. Acho que vem daí sua longevidade.
Bem, em homenagem ao Dia Mundial do Rock, fiz uma seleção de 5 grandes clássicos, que ilustram algumas das inúmeras facetas desse estilo único e inconfundível.
For those about to rock, we salute you!










quinta-feira, 7 de julho de 2011

SPFC: de mal a pior

Depois de cinco vitórias – a maioria delas sofrida – nos cinco primeiros jogos do Brasileirão, o São Paulo perdeu seus três últimos jogos. A diferença é que, em todos eles, o time foi completamente dominado, não demonstrou qualquer poder reação, e escancarou, tanto a pobreza de seu elenco, como a falta de capacidade de seu técnico.

É fato que, sem Lucas, o SPFC perde completamente seu meio de campo. Mas a oscilação foi grande demais. Além disso, a ausência do garoto  era sabida há meses (ou ele iria para a Copa América, ou iria para o Mundial sub-20). Assim como a de Casemiro, e dos demais convocados para o Mundial sub-20. A diretoria comeu bola, dispensou vários jogadores (alguns corretamente, outros nem tanto), mas não se mexeu para repor peças. Além disso, o cenário, que já é ruim, piora com Carpegiani, que não consegue dar um mínimo padrão tático à equipe, além de insistir com peças que não têm condições de serem titulares do SPFC (como Fernandinho).

Solução? Se há, começaria com a contratação imediata de alguns jogadores para chegar e vestir a camisa. Não renovar com Dagoberto, mandar embora mais uns dois ou três e trazer um técnico à altura do clube.

*

Post-scriptum: acaba de ser anunciada a saída de Carpegiani. É um passo. Cuca está à disposição, e Dorival Jr. balança no Atlético/MG. Gosto dos dois. Qualquer outro nome, agora, seria invencionice. Mas, que fique claro: apenas a demissão de Carpegiani não resolverá. É preciso reforços - de peso - imediatamente.

terça-feira, 28 de junho de 2011

"Ô saisons, ô châteaux"

Bem, semestre terminando, hoje tenho prova final de francês. E, para entrar no clima, nada como alguns belos versos de um dos grandes nomes da poesia francesa, o gênio precoce Arthur Rimbaud. O poeta, cuja obra foi toda escrita antes de seus 20 anos de idade, é um marco na poesia simbolista, e influenciou, por exemplo, movimentos importantes do século XX, como o dos beatniks e o existencialismo.

Abaixo, segue o poema Ô saisons, ô châteaux, seguido da tradução para o português (livre) feita pelo poeta brasileiro Augusto de Campos.




















Ô SAISONS, Ô CHÂTEAUX

Ô saisons, ô châteaux,
Quelle âme est sans défaut ?

Ô saisons, ô châteaux,
J'ai fait la magique étude
Du bonheur,que nul n'élude.

Ô vivre lui, chaque fois
Que chante son coq gaulois.

Mais ! je n'aurais plus d'envie,
Il s'est chargé de ma vie.

Ce charme ! il prit âme et corps,
et dispersa tous efforts.

Que comprendre à ma parole ?
Il fait qu'elle fuit et vole !

Ô saisons, ô châteaux !
Et, si le malheur m'entraîne,
Sa disgrâce m'est certaine.

Il faut que son dédain, las !
Me livre au plus prompt trépas !

- Ô Saisons, ô Châteaux !


CASTELOS, ESTAÇÕES
(tradução de Augusto de Campos)

Castelos, estações,
Que almas é sem senões?

Castelos, estações.

Eu fiz o mágico estudo
Da Felicidade, eis tudo.

Que eu possa ouvir outra vez
Cantar seu galo gaulês.

Desejos? Dores? Olvida.
Ela é a luz da minha vida.

O Encanto entrou em minha alma.
Doravante tudo é calma.

O que esperar do meu verso?
Que voe pelo universo.

Castelos, estações!

E se me arrastar o mal,
Seu fel me será fatal.

Que a morte com seu desprezo
Me liberte desse peso!

- Castelos, estações!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Notas sobre a Filosofia e a busca pela verdade

Uma das características essenciais do ser humano é a busca pela verdade. É essa busca, aliás, que motiva a existência de uma disciplina como a Filosofia, que tem na investigação da verdade seu maior valor. Conforme observa Marilena Chauí, afirmar esse valor da verdade significa que “o verdadeiro confere às coisas, aos seres humanos, ao mundo um sentido que não teriam se fossem considerados indiferentes à verdade e à falsidade”.

Esse desejo pela veracidade dos dados e dos fatos, por saber distinguir o verdadeiro do falso, surge logo cedo, ainda na infância e, diga-se de passagem, jamais nos abandona por completo. Somos essa busca permanente, essa angústia perpétua à procura de certezas. No entanto, como somos seres práticos, e precisamos de pontos fixos para poder agir, não poderíamos viver sem verdades estabelecidas, por assim dizer, a priori (isto é, as “verdades” transmitidas para nós pela sociedade, pela família, pela escola etc.). Por isso, tendemos, a princípio, a acreditar nas coisas, nas pessoas, no mundo tal qual é, tal qual se mostra para nós imediatamente. Essa “crença no mundo”, Husserl denominou atitude ou orientação natural e Merleau-Ponty, na mesma linha, fé perceptiva. Não obstante, mesmo no cotidiano, enfrentamos decepções, desilusões, dúvidas e perplexidades. Espantamo-nos com fatos ou atitudes novas ou inesperadas, o que nos leva (ou deveria levar) frequentemente a colocar em dúvida nossas certezas, aquilo que nos foi ensinado e que, até então, tomávamos como absolutamente verdadeiro. É precisamente o rompimento dessa crença que faz nascer a atitude crítica, isto é, a atitude filosófica propriamente dita. Nesse sentido, podemos entender a Filosofia como a consagração da busca pela verdade que motiva e caracteriza o ser humano.

Dentro da história da Filosofia, talvez seja com Descartes (ao menos a partir da Idade Moderna) que a ânsia pela verdade do mundo ganha uma de suas expressões mais contundentes. Pondo em xeque todo conhecimento que obtivera até então (primeiramente mediante os sentidos, que não raro podem nos enganar) o filósofo atesta que a necessária busca pela verdade só poderia ser empreendida a partir de um procedimento radical, que colocasse em suspenso toda forma de conhecimento previamente estabelecida, e reconstruísse o edifício das ciências a partir de seu alicerce, isto é, remodelando seus fundamentos: “Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto; de modo que me era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente desde os fundamentos, se quisesse estabelecer algo de firme e de constante nas ciências”.

A inquietação cartesiana, que o conduz ao famoso princípio do “penso, logo existo”, isto é, à consciência reflexiva ou ao sujeito como ponto de partida seguro e necessário para o conhecimento verdadeiro é, mutatis mutandis, compartilhado por nós em diversos momentos de nossa existência. Naturalmente, Descartes parte do pressuposto de que o conhecimento da verdade é perfeitamente possível – desde que se apliquem corretamente as orientações para “bem conduzir o espírito” nessa empreitada. No entanto, como se sabe, essa confiança jamais foi unânime, embora a possibilidade do conhecimento jamais tenha sido completamente negada (exceto no ceticismo absoluto). Um contemporâneo de Descartes, Blaise Pascal, diz em um de seus Pensamentos que “o silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora”. O que Pascal indicava, aqui, era a consciência trágica de nossa insuficiência, cuja consequência mais dramática, segundo este filósofo, seria nossa incapacidade de conhecer todas as facetas da verdade (do universo, de nossa existência, de Deus), embora sempre almejemos a isso: “Ardemos no desejo de encontrar uma plataforma firme e uma base última e permanente para sobre ela construir uma torre que se erga até o infinito; mas os alicerces desmoronam e a terra se abre até o abismo”.

Ora, independentemente da confiança absoluta cartesiana nos ditames da razão, ou do ceticismo pascaliano, ou mesmo, para nos valermos ainda de outro autor, dos limites da Razão Pura estabelecidos por Kant, confinados à síntese dos dados da experiência sensível e das categorias do entendimento, o fato primeiro a se constatar é que a busca da verdade é um dos móveis da existência humana. O homem, diz Heidegger, é “vizinho do Ser”. É, com efeito, abertura ao Ser, ao que existe, à verdade do mundo e de si mesmo.

Claro, essa verdade, não é eterna; “a verdade não é uma moeda cunhada, pronta para ser entregue e embolsada sem mais”, sublinhou brilhantemente Hegel. Quer dizer, a verdade é histórica, é um devir ao qual somos lançados porque somos, nós mesmos, abertura ao Ser que se desvela para-nós. O conhecimento é possível e, não só, é a dimensão em que entramos em contato com o Ser, em que existência e essência se misturam, se imbricam mutuamente, no qual, ao conhecermos a verdade, a modificamos e modificamos a nós mesmos. Nesse sentido, a Filosofia é busca pela verdade, que não está escondida, mas que se mostra para nós, que depende de nós para se revelar – e que, nesse processo, acaba por nos transformar também. Por isso, a Filosofia, mais do que revelar alguma espécie de “segredo”, tem como papel nos auxiliar a desvelar essa verdade que já está aí, no mundo, em nossas vidas, em nossa história. Conforme sintetizou Foucault: “Há muito tempo que se sabe que o papel da filosofia não é descobrir o que está escondido, mas tornar visível o que justamente é visível, isto é, fazer aparecer o que é tão próximo, o que é tão imediato, o que é tão intimamente ligado a nós mesmos que, por isso mesmo, não o percebemos. Enquanto o papel da ciência é fazer conhecer o que não vemos, o papel da filosofia é fazer ver o que vemos”.


sábado, 11 de junho de 2011

Juli - Wir Beide

Para marcar esse dia dos namorados, resolvi postar uma música que refletisse algum aspecto dessa data. Escolhi a canção Wir beide (Nós dois), de uma banda de pop/rock alemã chamada Juli. Além de bem legalzinha (a versão do vídeo é acústica, só com um violão de acompanhamento, a original é mais puxada pro pop/rock), a letra trata bem desse sentimento tão belo (e por vezes tão enigmático) que é estar apaixonado por alguém, e como ele pode renovar nossas esperanças no amanhã. Claro, dedico-a especialmente para meu amor, Angelica. Feliz dia dos namorados!



Wir beide
Nós dois

I

Weißt du eigentlich
Você sabe realmente

was du bist für mich?
o que significa pra mim?

alles and're als normal
tudo menos o normal

und jederzeit loyal, royal
e sempre leal, real

du bist mein Fundament
você é meu fundamento

keine die mich so gut kennt
ninguém que me conhece tão bem

keine die mich sieht wie du
ninguém que me vê como você

old Shatterhand und ich Winnetou
velho Shatterhand, eu Winnetou


(Refrain/refrão)

immer werden wir so bleiben
sempre ficaremos assim

jung und frei, schön wir beide
jovens e livres, lindos nós dois

stehen auf der guten Seite
sempre do lado bom

Jahr für Jahr
ano após ano

immer werden wir so bleiben
sempre ficaremos assim

lachen über schlechte Zeiten
rindo dos tempos ruins

deine Schmerzen sind auch meine
suas dores também são minhas

Jahr für Jahr
ano após ano

II

Weißt du eigentlich
Você tem idéia

was du tust für mich
do que você faz pra mim

wenn du meine Lasten trägst
quando carrega meus pesares

und dich mit meinen Feinden schlägst
e briga com meus inimigos

ich vertraue dir mehr als mir
confio mais em você do que em mim

und ich liebe dich dafür
e te amo por isso

dass bist wie du ist,
por você ser como é

dass du niemals vergisst
por você nunca esquecer

was das wichtige ist
que o importante é

wir beide
nós dois

domingo, 5 de junho de 2011

Amanhã é segunda

Em "homenagem" a esse triste, mas inevitável momento, quando você percebe que o fim de semana já está acabando, e a segunda-feira vem aí, um poema que escrevi há algum tempo.


















Amanhã é segunda

Só mais um gole
de conhaque, pra ver a noite passar
Amanhã é segunda. Fosse sexta, e eu te esperava
cheio de novidades
Namoraríamos um pouco, logo depois do cinema
Por fim, quem sabe, uma cervejinha,
entrecortada por beijos e fritas.
Mas a sexta já passou. O sábado, então, nem vi por onde
se meteu. Amanhã é segunda. Um trago no conhaque, os gols
da rodada e voilà, já é hora de dormir!

Com o barulho da gente chegando,
as despedidas da gente partindo,
Em cada qual, uma rotina
Pra todo corpo, descanso findo

Domingo, domingo...
eita troço sem sentido!