segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Boas festas!!!

Apesar da correria deste final de ano, passo para desejar a todos os amigos e amigas, leitores e leitoras,

















O blog volta em janeiro, com novidades.

Até lá!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Mais um troféu na galeria


Não escrevi antes sobre o título do São Paulo na sul-americana, primeiro por pura falta de tempo e, depois, para deixar a poeira dos lamentáveis incidentes da última quarta-feira baixar um pouco. Só para não deixar passar, em minha opinião, o que aconteceu foi uma sucessão de equívocos de várias das partes envolvidas (dirigentes de ambos os clubes, jogadores argentinos querendo exclusivamente arrumar confusão, juiz fraco, Conmebol), que catalizados pela mediocridade histórica do Tigre, resultaram no que vimos.

Mas, o mais importante, foi que depois de alguns anos de limbo, o São Paulo voltou a conquistar um título. Ainda que não seja o mais vistoso em sua vasta galeria, terminar o ano com um troféu internacional inédito, ainda mais num ano em que todos os rivais paulistas também foram campeões, é algo para se comemorar (e tendo em vista que perdemos meio ano com Leão de técnico). Mais ainda, com ele, as perspectivas que se abrem para o próximo ano, no qual o clube volta, com moral, a disputar a Libertadores em busca de sua quarta conquista. Pretendo, em algumas semanas, fazer um balanço de 2012 do São Paulo, já projetando 2013. Quem sabe, com a confirmação de algum reforço de peso, especialmente para a zaga, para a lateral e para o lugar de Lucas (setores, a meu ver, mais carentes no momento). Aliás, antes de terminar, faço uma menção honrosa a esse jogador, que honrou demais a camisa tricolor, e mais do que ninguém no elenco, merecia esse título. A você, Lucas. Merci beaucoup et à bientôt!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Casablanca

Na última semana, o filme Casablanca completou 70 anos. Embora filmes embalados por romances não costumem ser meus preferidos, confesso que este é uma exceção. Não sei se pelo enredo, cujo pano de fundo é o drama da II Guerra, se pelas atuações magníficas de Humphrey Bogart e da belíssima Ingrid Bergman, se pela música envolvente, As time goes by. Talvez (e muito provavelmente), por todos estes fatores. Casablanca é definitivamente um clássico. Atemporal. Que merece ser visto e revisto.

***

Casablanca

Ano: 1942
Direção: Michael Curtiz
Gênero: Romance / drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 102 min.
Elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid

Sinopse: Segunda Guerra Mundial. Muitos fugitivos tentam escapar dos nazistas por uma rota que passava pela cidade de Casablanca, no Marrocos. O exilado americano Rick Blaine (Humphrey Bogart) encontrou refúgio na cidade, e dirige uma das principais casas noturnas da região. Clandestinamente, tentando despistar o Capitão Renault (Claude Rains), ele ajuda alguns refugiados a fugir para os Estados Unidos. Quando um casal pede sua ajuda para deixar o país, Blaine reencontra uma grande paixão do passado, a bela Ilsa (Ingrid Bergman). O renascimento deste amor leva ambos a lutar para fugir juntos.






quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Um passo atrás


Felipão foi apresentado, agora pela manhã, como novo treinador da seleção. Segundo pode-se interpretar das palavras do presidente da CBF, José Maria Marin – que fez questão de (tentar) explicar porque não poderia trazer Tite, Muricy, Luxemburgo ou Abel –, Felipão era a opção que restava. E era, sem dúvidas, a pior opção.

O ex-treinador do Palmeiras conseguiu a proeza de ser a primeira pessoa na história a “cair pra cima”. Teve papel decisivo no rebaixamento do clube palestrino, mas, como prêmio, ganhou o comando da seleção. Contudo, não é nem esta meritocracia às avessas o ponto mais grave. A queda do Palmeiras poderia ser apenas um ponto fora da curva. Mas não é. Como disse em post ontem, tecnicamente falando, Mano deveria ter saído da seleção já há algum tempo. Porém, a forma pela qual foi demitido e, em especial, o motivo que levou à sua queda, são nefastos. Ainda assim, tal cafagestagem poderia ser minimamente redimida com a escolha de alguém em melhores condições do que Mano para dirigir a seleção. E este, definitivamente, não é o caso atual de Felipão.

Não nego suas virtudes como técnico (sobretudo em competições “mata-mata”), seu currículo, não nego o fato de que Scolari tenha sido importante na conquista do Mundial de 2002. O que questiono é o fato de o treinador ter parado no tempo. Não ter acompanhado a evolução do futebol. Ainda ser adepto do “pega, pega, pega” como tática de marcação (imaginem Scolari gritando “pega, pega, pega” para parar o Messi, por exemplo?).Ter acumulado fracassos em seus últimos trabalhos importantes. O Palmeiras, sob seu comando, sempre foi um time medíocre, técnica e taticamente falando. Exclusivamente dependente da bola parada de Marcos Assunção. Felipão, em nenhum momento, conseguiu dar cara de time a um elenco que ele mesmo ajudou a montar (os palmeirenses sabem do que estou falando), mesmo no título da Copa do Brasil, este sim, um ponto fora da curva do atual Felipão. E é justamente este – e não o de 2002 –, o Luiz Felipe Scolari que assume o comando da seleção.

O novo treinador, vale lembrar, será acompanhado por Carlos Alberto Parreira. Embora tenha sido um técnico medíocre (mesmo com o título mundial de 1994), é fato que Parreira é um estudioso do futebol – a entrevista coletiva de ambos acabou de demonstrar como Parreira parece mais antenado com as necessidades de evolução de nosso futebol do que o próprio Felipão. Ainda assim, não acho que Parreira poderá ajudar muito. É, no final das contas, mais do mesmo. E, como Scolari, colecionou fracassos em suas últimas empreitadas futebolísitcas, com destaque à forma ridícula como conduziu o Brasil na Copa de 2006.

O que nosso futebol verdadeiramente precisa é de fôlego novo. Ser arejado por novas ideias, novas práticas, em todos os níveis. Neste quesito, portanto, demos um enorme passo atrás. Espero queimar a língua. Mas, por ora, nada resta além de aguardar e torcer.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Mano, Marín, seleção


Esperei alguns dias para escrever sobre a demissão de Mano Menezes, porque queria ver os primeiros desdobramentos dessa ação desastrada do presidente da CBF. Mais precisamente, se haveria uma decisão imediata sobre o novo ocupante da vaga. Como, até aqui, só há especulações (ainda que, ao que tudo indica, o nome de Felipão seja disparado o mais cotado), decidi deixar minha opinião sobre este episódio.

Acho o Mano um técnico fraco para a seleção. Com pouco currículo. E de caráter, digamos, duvidoso (eis o que escrevi quando ele assumiu). Mas a forma como foi demitido foi absolutamente injusta. Inoportuna, para dizer o mínimo. E os reais motivos dessa demissão são ainda mais deploráveis.

Mano poderia ter saído depois do fiasco brasileiro na Copa América. Ou, há alguns meses, após as Olimpíadas. Não agora. Temos três ou quatro jogos até a Copa das Confederações. Um ano e meio para a Copa. E, mesmo que com atraso, o ex-treinador da seleção começava a esboçar um time que, a meu ver, deverá ser a base do time de 2014 – não importa qual técnico esteja no nosso banco. Quer dizer, tecnicamente falando, no momento em que ele começou a dar sinais de melhoras, caiu. Mas, muito pior do que esta falta de timing: ele justamente não caiu pela questão técnica – que, insisto, justificaria sua demissão desde muito tempo. Caiu por questões políticas. Por vaidade. Porque o novo presidente da CBF, José Maria Marín, conseguiu, neste ponto, ser pior que seu sucessor (pasmem!), e viu na escolha de um novo treinador a forma de conseguir imprimir suas digitais na eventual taça de campeão do mundo. Que, naturalmente, ninguém sabe se virá. Se depender de sua competência, não. Mesmo porque, parece-me inacreditável que o técnico que recentemente rebaixou uma das maiores equipes de nosso futebol para a série B, seja o mais cotado para ganhar o prêmio de treinar a seleção. Felipão, hoje, é a marca do atraso no futebol. Não se atualizou e foi ultrapassado. A roda da história não gira para trás. Se ele foi decisivo em 2002, vendo seu retrospecto recente, o time que conseguiu montar no Palmeiras, nada me faz crer no mesmo dez anos depois. Mas, aguardemos. Com a confirmação do novo treinador, volto ao assunto.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Kiss - Detroit Rock City

Há um poema maravilhoso de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, que começa assim:

"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia".

Sei que o Kiss já executou milhares de vezes (literalmente) a música Detroit rock city. Mas, para mim, esta versão abaixo é a melhor de todas. Não porque ela seja a melhor de fato. Mas porque, assim como o Tejo não poderia ser mais belo que o rio que corria na aldeia do poeta - mesmo que fosse - porque não era o rio que corria em sua aldeia, esta versão é a melhor já feita, porque foi esta a que vi, ao vivo, pela primeira vez, no último sábado, em São Paulo. Foi com ela que meu coração disparou, aguardando a realização daquele velho sonho de adolescência. Por isso, para mim, ela é - e sempre será - a melhor.

Rock on!





quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Um menino, uma banda, um sonho


Corriam os primeiros meses do ano 2000. O mundo não tinha acabado, e eu me preparava para cair na noite pela primeira vez. Primeira balada. Primeira vez que ficaria até altas horas na rua. Era sábado à noite, festa organizada pelo colégio onde estudava. Nada demais. Mas, como seria a tônica dali para frente, estava ansioso. Muito ansioso. Inseguro. Não sabia o que esperar, como me comportar. Muitos de meus amigos já tinham certa experiência no assunto. Eu não. Caseiro e extremamente tímido, minha vida social até então (tinha 14 anos à época) limitava-se a sair para comer pizza com a turma, ir ao cinema ou coisas assim. Agora, de alguma forma, eu dava um passo além. Para mim, ao menos, era.

Sem saber muito o que fazer para matar o tempo até às 23 horas, quando deveria chamar meu pai, que então dormia, para me levar, me fechei no meu quarto e decidi ouvir um pouco de música para tentar me distrair. A escolha, àquela altura, só poderia ser uma: algum CD de rock, especialmente do Kiss, à época a banda que eu mais ouvia e tentava, na minha guitarra, copiar. Coloquei o mítico álbum Destroyer, de 1976, e meio que por impulso, pulei para uma de minhas faixas prediletas, “Shout it out loud”. O Kiss, como se sabe, nunca foi uma banda marcada por letras profundas, mas conta, ao longo de sua trajetória, com algumas peças e versos interessantes, especialmente sobre a necessidade de aproveitarmos a vida ao máximo, acreditar em nosso potencial, além de várias canções sobre o amor, sexo e relacionamentos, como é de praxe no rock’n’roll, especialmente no chamado hard rock. E “Shout it out loud”, naquele momento, me caiu como uma luva. Não era bom de inglês, acabara de começar fazer um curso particular, mas conhecia algumas letras e suas respectivas traduções através de revistas que comprava. Ao ouvir uma canção sobre alguém que quer ter um pouco de diversão e precisa se sentir confiante, aquela música parecia feita para aquele meu momento: “’cause it’s time o take a stand”, dizia o último verso, que eu repeti na minha cabeça aquela noite toda, e durante outras vezes mais.

Muitos anos se passaram. Algumas conquistas, muitas cabeçadas, a companhia de pessoas certas, acrescidas a alguns aninhos de terapia, me fizeram me conhecer melhor, e conhecer um pouco mais do mundo que me cerca. Fizeram-me superar um pouco a timidez, a insegurança, e até certa baixa auto-estima. Mas, de alguma forma, mesmo que indiretamente, aquela banda de cabeludos mascarados participou de todo esse processo. Afinal, era o Kiss uma das trilhas sonoras que me ajudavam a prolongar o êxtase dos momentos de alegria – como quando passei no vestibular, ou comecei a namorar minha atual esposa –, ou que também arranhava na guitarra para descontrair e sonhar. Também era o Kiss que eu colocava quando tentava ou precisava ficar “pra cima” nos (nada raros em certo período) momentos de depressão, incerteza, angústia e medo.

Apesar disso, nunca achei que os veria pessoalmente. Quando eles vieram para o Brasil pela terceira vez, em 1999, tinha acabado de conhecê-los. Aliás, foi um cartaz anunciando aquele show da Psycho Circus Tour, na antiga revista Showbiz (que acho que nem existe mais), que me encantou. Ficava olhando aqueles personagens que variavam, dependendo do ângulo, entre palhaços (no bom sentido) e demoníacos, e dizia para mim mesmo: “preciso saber quem são esses caras”. Depois de muitas idas e vindas (deles e minha), o Kiss retornou ao Brasil em 2009. No entanto, a falta de $$, mais os compromissos acadêmicos do mestrado que eu fazia à época, abortaram minha chance de vê-los. Sinceramente, já tinha desencanado da possibilidade de ir a um show – afinal, nunca se sabe até quando vai o fôlego de uma banda quase quarentona –, quando eles anunciaram um novo disco para 2012, Monster, e uma turnê que passaria por essas bandas. Depois de ouvi-lo e aprová-lo, só poderia comprar meu ingresso para o show de Sampa e, quase sem querer, realizar um velho sonho adolescente – mesmo que não tenha oportunidade de conhecer um de meus integrantes preferidos, o guitarrista Ace Frehley, que infelizmente não está mais na banda.

Enfim, muita coisa aconteceu desde aquele sábado à noite. Muita mesmo. Mas, de alguma forma, um pouco do que sou hoje, e mesmo daquilo que desejo e sonho (para mim e para o mundo), ainda devo à influência inesperada daquela banda norte-americana de rock alegre e descompromissado. Por isso, toda vez que me pego ouvindo alguma música do Kiss, para além das memórias que muitas me trazem, não posso deixar de gritar bem alto, mesmo que seja só dentro da minha cabeça: “obrigado”.

A seguir, um vídeo devastador de “Shout it out loud”, abrindo o primeiro show da Reunion tour, turnê que marcou a volta da formação original da banda, em 1996 (e durou até 2002).