sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Um ano intenso

2016 foi um ano intenso – o que não significa dizer positivo. Para todos os efeitos, na verdade, foi histórico. Um ano em que todos os dias levantávamos a espera de uma notícia bombástica. E, invariavelmente, ela vinha, na forma de tragédias e mortes, ou jogando constantes baldes de água fria em todos que se preocupam com o futuro do país. Neste último aspecto, o ápice, claro, foi o golpe que apeou Dilma Rousseff da presidência, e mergulhou o país em uma agenda abertamente regressiva.

Mas, como desgraça pouca é bobagem, a deposição de Dilma se inscreve em um cenário de recrudescimento da extrema-direita pelo mundo, simbolizado pelo Brexit e pela eleição de Trump, cujo desfecho ainda é imprevisível. Nesse sentido, 2017, no Brasil e no mundo, será um ano em que esses movimentos deverão ganhar contornos mais definitivos, respondendo algumas questões latentes neste fim de 2016. Por exemplo: até que ponto Temer conseguirá se manter na presidência e impor seu (e do PSDB) programa de reformas neoliberais? A Lava Jato conseguirá cumprir sua missão maior, ou seja, prender Lula e criminalizar simbolicamente toda a esquerda? E ainda: para onde vão os EUA e a Europa diante da força dos discursos ultranacionalistas, xenófobos e racistas?

Do ponto de vista pessoal, porém, o ano foi positivamente marcante. Em que pesem algumas decepções particulares e a raiva com o fraco desempenho do São Paulo, 2016 fica marcado em minha vida como o ano da realização de mais um sonho profissional: a aprovação em concurso para professor efetivo de uma universidade pública (a UFBA). Angelica, minha esposa, que segurou a barra durante todo o período de tentativas e frustrações, é a única pessoa que tem ideia do que essa conquista significou. E fica aqui meu registro público de que, sem o apoio dela, essa conquista seria impossível.

Enfim, não obstante o próximo ano aparentemente não despontar com as cores mais brilhantes, é preciso manter um fio de esperança. O futuro não está pré-determinado, mas depende exclusivamente de nossas ações. Por isso, desejo sinceramente a todos os leitores e leitoras do blog um ano de sucessos e realizações, tanto pessoais quanto nacionais.

O blog retorna em breve!!!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A morte e a ausência de Deus: "O sétimo selo" de Bergman à luz da filosofia de Sartre

Motivado por uma atividade na UFBA, resolvi escrever este post esboçando uma interpretação do filme O sétimo selo, do diretor sueco Ingmar Bergman, à luz da filosofia de Sartre. Mais particularmente, de um eixo temático comum a ambos: a ligação entre a existência de Deus e a morte.

O enredo do filme – cujo título remete a uma passagem do Apocalipse, na Bíblia – é relativamente simples: no final da Idade Média, um cavaleiro e seu ajudante retornam das Cruzadas e se deparam com uma população avassalada pela Peste. O cavaleiro, Antonius Block recebe a visita da Morte e, a fim de estender sua vida, convida-a para um jogo de xadrez. Se perdesse, partiria com ela. Enquanto o jogo não terminasse, permaneceria vivo, em busca de um sinal da existência de Deus e de que sua vida não teria sido em vão. A Morte, que nunca fora derrotada, aceita o desafio.

A partir daí, o filme retrata a jornada de Block em busca das respostas à suas aflições existenciais em um mundo fortemente marcado pela religiosidade e pelo medo. Neste contexto, dois temas tipicamente afeitos ao pensamento de Sartre brotam ao longo da película. O primeiro é precisamente a busca por um sentido transcendente, uma justificativa para a vida, que atravessaria o próprio ser do homem, mas cuja resposta seria impossível, dada a ausência de Deus. Por exemplo: em dado momento, Block se desespera porque quer abandonar tudo, se entregar ao seu inevitável destino, mas, ao mesmo tempo, sente-se incapaz dessa resignação, porque não consegue se desvencilhar da dúvida, da inquietação por saber se sua vida, integralmente dedicada a Deus, teria tido algum sentido. Com efeito, Bergman elabora uma a permanente tensão que perpassa toda a jornada de Block: a tensão entre sua crença, isto é, o desejo de que Deus forneça algum sinal de que a vida – a sua em particular, mas também a de todos acometidos pela tragédia, que não abandonam a fé – e a ausência de qualquer resposta concreta. O fracasso, a paixão inútil do ser humano, diria Sartre.

Nesse sentido, quase como um Sancho Pança do célebre romance de Cervantes, o ajudante de Block, Jöns, funciona no filme como uma espécie de “voz da razão”. Cético, em toda oportunidade aponta para a gratuidade do existir – a contingência do ser, para usar outro conceito de Sartre. Isso fica claro, por exemplo, no momento em que uma mulher acusada de “bruxaria” – por conseguinte, culpada pela disseminação do castigo da Peste – será crucificada e queimada. Observando seu olhar aterrorizado e sem direção nos instantes que precedem a sua terrível execução, Block se pergunta o que ela estaria vendo. Jöns, sem rodeios, simplesmente responde: “O vazio”. Em outros termos, ela estaria percebendo, à beira da morte, que não há nada: nem além, nem salvação...

Mas, a cena mais emblemática do filme talvez seja aquela em que Block vai a um confessionário e ali expõe sua angústia. O diálogo denso, típico da obra de Bergman, sintetiza as questões filosóficas de O sétimo selo. E igualmente ilustra a inevitabilidade do fim. Isso porque Block pensa estar conversando com um padre, quando, na verdade, é a própria Morte quem está no confessionário. Enganado, acaba entregando uma jogada que faria na partida de xadrez e que, a seu ver, resultaria em vitória. A Morte está sempre um passo a frente. Seu triunfo ante a vida é inexorável.

Aqui, no entanto, convém fazer uma ressalva no que diz respeito à aproximação de O sétimo selo com Sartre. É que, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, o pensamento sartriano em nenhum momento abraça o niilismo – como o longa pode eventualmente respaldar. Não haver sentido a priori para a existência humana, não haver justificativa para estarmos aqui, não haver Deus, enfim, não representa, para o filósofo, a simples celebração da gratuidade. Pelo contrário, Sartre entende que todos esses elementos convergem para a afirmação da absoluta liberdade (e, consequentemente, responsabilidade) do ser humano diante de si, de outrem, do mundo. Têm, portanto, um caráter antes positivo do que negativo. Não se trata de ceder ao desespero diante do desamparo da solidão existencial, mas de tomar a contingência como ponto de partida para a criação de sentido. 

Finalmente, nessa linha, a última tomada do filme permite reaproximar Bergman e Sartre – ao menos, o Sartre dos anos 1930, 1940, francamente empenhado em uma literatura engajada, e uma interpretação não niilista do filme. A ciranda da Morte leva todos os personagens do filme, exceto um casal de artistas com seu bebê. De certo modo, pode-se afirmar que a arte aparece, para o diretor sueco, como fonte de salvação: provisória, pode-se replicar. Ainda assim, no entanto, como salvação. Com Sartre, se poderia complementar: não como salvação para o além, mas como meio de conferir algum sentido no aqui e agora da vida diante da absoluta gratuidade do real – o que também, de certo modo, é um “salvar-se”. Aliás, é essa conclusão a que chega Antoine Roquentin, protagonista do romance sartriano A náusea. Ou, para usar uma feliz definição do recém-falecido Ferreira Gullar: “a arte existe porque a vida não basta”. Bergman e Sartre certamente ratificariam as palavras do poeta brasileiro.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Chapeocense, Ferreira Gullar e o aprendizado da vida

Desnecessário dizer o quão pesada foi a semana que passou. Optei por nada escrever até agora, porque não conseguia achar palavras capazes de descrever a tragédia. Eis que, nesse domingo, também se foi o grande poeta maranhense Ferreira Gullar. E, por essas trágicas casualidades, encontrei nos versos de "Aprendizado" uma forma de expressar um pouco desse drama cheio de contradições que é viver. Drama que desvela suas entranhas justamente quando nos deparamos com a fragilidade da vida.


Aprendizado
(Ferreira Gullar)

Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão

que a vida só consome
o que a alimenta.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Neoliberalismo, subjetividade e crise da democracia

A eleição de Donald Trump à presidência dos EUA acendeu um alerta global. Particularmente, porque parece desnudar algumas das mais agudas contradições das “democracias ocidentais” contemporâneas. Com efeito, não por acaso, a questão que atravessou a cena política desde o último dia 09/11 pode ser resumida do seguinte modo: como teria sido possível que, em uma democracia consolidada como a norte-americana, um fenômeno de viés proto-fascista, como a candidatura de Trump, pudesse prosperar?

Este texto propõe uma resposta a essa indagação que não se pretende exclusiva, mas que, dentro dos limites que o espaço impõe, visa realçar aquilo que entendemos ser a causa subterrânea desse acontecimento. O que sugerimos aqui é que o significado dessa vitória se assenta, ainda que de modo aparentemente remoto, nos pilares do modelo de globalização dominante desde os anos 1980, comumente denominada “neoliberalismo”. Ou, para ser exato, em seu fracasso. Em linhas gerais, adotamos a perspectiva de que a fissura aberta na hegemonia neoliberal pela crise econômica de 2008 ganhou agora (somada ao Brexit, sobretudo) uma notável – e preocupante – complementação ético-política.

Nesse sentido, importa inicialmente destacar que, a nosso ver, uma das principais consequências da emergência da nova era de acumulação capitalista foi a correspondente formatação de um novo tipo de subjetividade. Trata-se da dissolução quase completa da antiga identidade baseada na articulação entre indivíduo e trabalho social – que, como Hegel bem observara, presidiu a constituição da subjetividade moderna –, em nome daquilo que Pierre Dardot & Christian Laval bem classificaram como uma “hiper-subjetividade”: o sujeito “desobjetivado”, ensimesmado, constrangido ao novo, à mudança, porque sem possibilidade de estabelecer laços efetivos com o mundo (materiais ou espirituais, geográficas ou jurídicas). Não que o vínculo entre sujeito e trabalho tenha desaparecido, ou que este último tenha perdido sua centralidade. Ocorre que, dada sua mútua imbricação, as mudanças profundas sofridas no mundo laboral não poderiam deixar de impactar na própria constituição e expectativas dos sujeitos contemporâneos.

Aqui, por mudanças profundas entenda-se, não apenas as revoluções tecnológicas inquestionáveis, mas, sobretudo: o esforço permanente de desregulamentação e precarização da mão de obra assalariada, a desindustrialização, a ameaça constante a direitos adquiridos etc. Ora, não apenas, do ponto de vista material, este cenário consolidou uma nova forma de proletarização – os trabalhadores “precarizados”, mais sujeitos às vicissitudes e à instabilidade da reprodução do capital, sem empregos fixos, sem direitos, com um acesso cada vez mais restrito à esfera do consumo –, mas, do ponto de vista ético, dissolveu a base dos antigos mecanismos de subjetivação, baseados na hegemonia das formas clássicas de trabalho e de seus processos de socialização correlatos.

Como era de se esperar, porém, essa dissolução agora cobra seu preço. Do novo “mundo do trabalho” seguiu-se a formação de uma massa de indivíduos sem identidade, fragmentados, abandonados à própria sorte, permanentemente ameaçados de serem lançados às margens de um sistema que, com a mesma velocidade, promete e retira suas perspectivas de futuro. Se o mundo globalizado, como explica David Harvey, caracteriza-se pelo imperativo da mudança permanente, pelo rápido giro temporal exigido pelos novos padrões de acumulação capitalista, o temor e a insegurança daqueles – a maioria – que não podem usufruir das eventuais benesses desse novo modo de vida, ou que se tornaram vítimas em potencial de sua volubilidade intrínseca, torna-se inevitável. Tanto quanto são inevitáveis suas repercussões éticas.

Com efeito, o cenário rapidamente descrito proporciona, dentre outras coisas, o surgimento daquilo que, há quase duas décadas, Immanuel Wallerstein alertava como sendo “a era do grupismo”. Ao afrouxamento do tradicional processo de subjetivação calcado na articulação sujeito-trabalho – logo, em determinada relação de pertencimento do indivíduo à sociedade –, surgiam tentativas múltiplas, difusas, frequentemente contraditórias, da sempre necessária constituição de subjetividade e socialização, a partir do atrelamento individual a um grupo qualquer que transmita algum sentido de pertencimento – uma comunidade religiosa, uma torcida organizada, uma gangue etc. Ocorre que, nesse momento de fragmentação absoluta, o “grupismo” exige, como condição de funcionamento, a construção de seu outro, a partir do qual o grupo, ente fechado em torno de seus membros, pode se reconhecer enquanto tal, garantindo sua unidade e coesão. Em outros termos, a identidade particular do grupo se forma pela oposição com seu exterior – o diferente, o adversário, o inimigo, o infiel.

O que se insinua aqui é que este quadro global complexo, em que elementos materiais, políticos e éticos se entrelaçam, permite a um outsider como Trump atacar um problema real – a crescente (ameaça de) penúria material provocada pelos processos econômicos e políticos de precarização do trabalho, com suas consequências objetivas e subjetivas – através de fórmulas simplistas, mas de fácil assimilação, porque seu eixo não se volta para o futuro, fatalmente incerto – e, portanto, indesejável diante da instabilidade corrente daquela massa –, mas se dirige à fixidez do passado (real ou imaginário, pouco importa). Numa palavra, promete restabelecer a “segurança” de um suposto tempo “glorioso”, “puro”, desde que tudo aquilo que se interpõe à concretização desse ideal – ou seja, todos aqueles “outros” que seriam responsáveis pelas transformações que culminaram no presente – seja removido. Desse modo, o magnata forneceu para seu eleitorado, acima de tudo, uma identidade grupal sólida (de cunho extremamente nacionalista, proto-fascista), capaz de transmitir àqueles que se sentem ameaçados pelos dissabores econômicos, e abandonados pela “política tradicional” – isto é, que sentem a falência da democracia guiada pelos políticos do establishment –, uma nova forma de integração e de subjetivação, calcada em um conflito permanente contra seu “outro”, mas no qual, aqueles que “nada têm a perder”, mostram-se dispostos a se engajar.

O desfecho desse cenário, evidentemente, é trágico: se a política é, por essência, democrática, e demanda uma ética de respeito e diálogo com o outro, como sugeria Hannah Arendt, o que se tem aqui é o triunfo da anti-política, de uma ética às avessas, por assim dizer. Ambas costuradas sobre o tecido da crise da sociedade capitalista neoliberal, mas que, como se nota, passam longe de resolvê-la.

Ademais, para além da importância que a eleição norte-americana tem para o mundo, é preciso notar que algo semelhante se passa, dentro de nossas idiossincrasias, no Brasil. Com efeito, na esteira do contexto de criminalização da esquerda (em sentido bastante amplo) que teve como ápice o recente processo de impeachment, o crescente apoio a discursos extremistas, o fortalecimento do poder das igrejas evangélicas, os projetos que visam suprimir o pensamento crítico-formativo das escolas etc., são sinais da construção progressiva de uma práxis política anti-democrática, de uma ética da beligerância típica do proto-fascismo que encontrou em Trump um porta-voz global. O que resta é saber se aqui, como lá, o desfecho será o mesmo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Led Zeppelin - IV

Há exatos 45 anos, em 07 de novembro de 1961, o quarto álbum do Led Zeppelin chegava às lojas – e entrava para história. Para resumir o que penso de IV (o disco, na verdade, não tem nome, mas é chamado de IV justamente por ser o quarto trabalho da banda), diria o seguinte: se um extraterrestre chegasse à Terra e quisesse saber o que é rock'n'roll, eu poderia gastar horas explicando o ritmo, a história, as bandas; ou poderia deixá-lo ouvir essa obra-prima. 

Confira, no link abaixo, a íntegra desse clássico. Audição obrigatória para qualquer amante da música.


sábado, 29 de outubro de 2016

Desalento

Depois de um período de inatividade, provocado pela minha mudança para a Bahia, é hora de retomar a atividade no blog. Durante este quase um mês em que deixei de publicar, como se sabe, muita coisa ocorreu em nosso país. Desnecessário enumerá-las aqui. O que vale registrar é que, em sua maioria, as notícias são negativas. E, confesso, embora minha vida pessoal/profissional esteja caminhando bem (em que pese a ausência momentânea de minha esposa, mas isso é outra história) escrevo este texto tomado de certo desânimo.

Sim, recentemente houve a (tardia) prisão de Eduardo Cunha. Sim, o movimento corrente das escolas ocupadas é uma bafejada de ar fresco nas lutas sociais. No entanto, ainda é muito pouco. Como disse no post anterior a este, escrito no início de outubro, as eleições deste ano cristalizaram a esquerda em uma posição claramente defensiva. Não apenas em relação ao resultado eleitoral, mas – o que é mais preocupante – do ponto de vista da batalha de ideias. Basta ver as pautas dos vencedores para constatar que houve uma perda “cultural” dos setores progressistas em relação aos temas que lhe são caros.

Mais ainda: a esse momento de recuo forçado segue-se, como era de se esperar, uma ofensiva contra os direitos populares que há tempos não se via. A PEC 241 (agora, no Senado, PEC 55), bem como a decisão do STF de permitir aos órgãos públicos cortar ponto de funcionários grevistas tão logo deflagrem a paralisação, são a parte mais visível de um processo que começou há muitos meses. Basta se lembrar das falas de Romero Jucá interceptadas pela PF, ainda antes do impeachment, na qual ele insinuava a necessidade de um “grande acordo nacional” que envolvesse “todos os poderes” – a começar pela destituição de Dilma. O resultado desse acordo começa a se tornar palpável: o novo Executivo e o Legislativo, agora em perfeita sintonia, aprovam ataques à população, sob as vestes da proteção de um Judiciário cúmplice, atento apenas para seus interesses corporativos. E, aparentemente, sem qualquer esboço de reação por parte dos setores populares.

Desalentador? Sem dúvida. E admito que não me agrada escrever posts nesse nível de pessimismo. Mas, convenhamos, está difícil enxergar qualquer luz no fim do túnel. A menos que seja a de um trem desgovernado vindo em nossa direção...

domingo, 2 de outubro de 2016

A esquerda na defensiva

Difícil falar ainda no calor do momento. Mas, o resultado é inapelável: anos e anos de forte campanha midiática e cultural contrária deram resultado. A capilaridade da esquerda foi destroçada nessas eleições. Na esmagadora maioria das cidades grandes e médias, PT e PCdoB foram praticamente varridos do mapa. O sucesso do PSOL de Marcelo Freixo, no Rio, infelizmente é apenas a exceção que confirma a regra. A esquerda encontra-se, toda ela, na defensiva.

Mais do que nunca, nessa situação dramática, é hora de juntar os cacos e, com serenidade e capacidade de autocrítica, se unir e se repensar. Uma reorganização da esquerda brasileira – toda ela – é urgente. O Brasil não merece o futuro que se avizinha.