Com a cabeça mais fresca, depois
de um dia cansativo, é possível fazer algumas considerações e balanços sobre o
primeiro turno das eleições.
Sobre a disputa presidencial,
evidentemente, houve uma surpresa no resultado. A votação bem acima das
expectativas de Aécio, e a votação um pouco abaixo do esperado de Dilma (Marina
manteve-se no mesmo patamar de 2010), farão com que o segundo turno seja uma
verdadeira batalha. São Paulo foi, sem dúvidas, a mola propulsora da arrancada
tucana, e é neste Estado – que mais uma vez expressou seu conservadorismo em
todos os níveis eleitorais – que pode estar a chave da vitória no dia 26/10. Dilma
e o PT devem ter atenção redobrada por aqui. Não para vencer, mas para
minimizar a diferença de quatro milhões de votos que o tucano impôs sobre a
petista.
Além disso, naturalmente, é
preciso disputar os votos de Marina. Esta, aliás, é a grande questão, do ponto
de vista, eleitoral, deste segundo turno: para onde migrarão os votos
depositados ontem no PSB? É preciso lembrar que o eleitorado marineiro era
composto essencialmente de duas fatias contraditórias. A primeira, de jovens,
em especial de grandes centros, que enxergavam nela a vocalização das
manifestações de junho do ano passado. A segunda, um eleitor conservador, em
sua maioria evangélico, que encarava Marina como a candidata mais apta a “tirar
o PT do poder”. Difícil dizer qual era majoritária (se é que havia), mas tendo
a apostar nesta última. E, se for assim, há de se levar em conta que parte dele
migrou para Aécio já no primeiro turno, especialmente em SP. Sendo assim, a
margem de transferência pró-tucano se estreita, e deve haver uma disputa
equilibrada por estes votos. Contudo, convém ainda aguardar as movimentações
desta semana. Inclusive, um eventual apoio público de Marina ao PSDB, já
sinalizado na noite de ontem, para considerações mais precisas.

Em resumo, a disputa será acirrada. Mais do que o previsto, talvez. A nova-velha composição do Congresso também indica um fortalecimento de candidaturas de centro-direita e de direita que é preocupante. Via de regra, é fato, o Congresso Nacional tem perfil conservador, sobretudo por conta da influência do poder econômico nas eleições. Em 2014, porém, houve um aprofundamento deste perfil: não apenas o centro e a centro-direita ampliaram sua representação, mas candidatos que podem facilmente ser identificados à direita mais nefasta (ou extrema-direita, se preferirem), como Bolsonaro (RJ), Heinze (RS), Feliciano (SP), tiveram votações absolutamente expressivas. Por outro lado, é notável que a bancada do PT, mesmo com perda considerável, ainda seja a maior da Câmara – o que mostra o enraizamento do projeto petista em grandes parcelas da população, apesar de tudo.

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