Uma belíssima canção, em homenagem aos 70 anos desse gênio, verdadeiro monumento da música brasileira. Vida longa Chico!
quinta-feira, 19 de junho de 2014
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Vai começar a Copa! Quem vence?
E amanhã começa a Copa do Mundo
no Brasil! Desde a fase final de preparação das seleções, essa Copa tem sido um
espetáculo. A saída das seleções de seus países, a recepção entusiasmada por
parte dos brasileiros, a curtição de jogadores de vários países com o clima, a
torcida e as tradições locais – que já geraram imagens inéditas e insólitas,
como a dos alemães uniformizados e cantando o hino do Bahia, ou os holandeses
jogando frescobol na praia – são uma amostra do que está por vir. Sem dúvidas,
e em que pese os inegáveis problemas em sua preparação, essa Copa promete!
Mas, como o principal da Copa é a
bola rolando, e como não poderia deixar de ser, este blog também arrisca,
humildemente, alguns palpites sobre os resultados esportivos.
Sem qualquer “pachequismo” (e
quem me conhece sabe que não tenho vocação para isso), entendo que o
Brasil é o grande favorito à conquista da taça. Não apenas pelo bom futebol que
vem demonstrando desde a Copa das Confederações, pela sólida defesa, um meio
campo forte e com bons jogadores e um bom ataque com Fred e, sobretudo, Neymar,
mas pela soma de diversos e já conhecidos fatores: dono da casa, apoio da
torcida, desfalques importantes em alguns concorrentes, estrela de Felipão....
Num segundo grupo, colocaria Argentina, Alemanha e Espanha, nesta ordem. Aliás,
seria um coroamento para o futebol que esta Copa tivesse Brasil e Argentina na
final. Na sequência, listaria Itália, França, Inglaterra, Holanda e Uruguai
como seleções que podem ir longe, mas com poucas chances de título. Há também
as candidatas a surpresa, que invariavelmente aparecem e chegam até as
semi-finais. Bulgária em 1994, Croácia em 1998, Turquia em 2002, Portugal em
2006, Uruguai em 2010. Creio que Bélgica e Chile, podem cumprir este papel.
Talvez a Bósnia também possa se candidatar a essa vaga, bem como Portugal, a
depender das atuações de Cristiano Ronaldo.
Como se vê, nada de muito
diferente da opinião corrente. Mas, o que mais importa, é que a qualidade do
espetáculo seja de alto nível, como todos esperamos e merecemos. Repito: essa
Copa promete – e muito. Não apenas grandes imagens, mas, sobretudo, grandes
jogos e fortes emoções!
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Um salto para a educação brasileira
Essa semana, uma importante
medida foi aprovada pelo congresso brasileiro: a aprovação do Plano Nacional de
Educação, o PNE, que estabelece diretrizes e metas para o melhoramento da
educação brasileira, em todos os níveis, nos próximos dez anos. Dentre as medidas
previstas no PNE, uma das mais importantes, sem dúvida, é a que prevê a
destinação, até o final do período de vigência do plano, de 10% dos recursos do
PIB para a educação (hoje se investe cerca de 6,5%).
Como se sabe, o problema da
educação brasileira, em particular da educação básica e do ensino médio, vai
além da questão financeira. Por exemplo, dentre outras medidas, uma
reformulação no currículo do ensino médio é indispensável (para não falar da
responsabilidade dos pais e mães, mas isso é uma questão para outra
oportunidade). Mas, como também é notório, sem dinheiro suficiente é impossível
promover o salto de qualidade em nossa educação que todos ansiamos – inclusive
como ponto de partida para outras que não dependam tão diretamente de questões
financeiras. Desde a melhor remuneração dos professores ao investimento em
infra-estrutura nas escolas, inclusive adaptando-as para receber os alunos durante
todo o dia (uma das metas mais importantes do PNE é que, até 2024, pelo menos metade
das escolas públicas brasileiras funcionem com regime de tempo integral, o que
permitiria atender 25% dos alunos), sem um financiamento adequado torna-se
proibitivo atingir um padrão satisfatório para nosso ensino.
Por isso, é preciso comemorar. A
aprovação do PNE – que agora se encaminha para a sanção da presidenta Dilma – é
uma vitória importante da sociedade brasileira. Mas não é o ponto final. Esperamos
que, doravante, outros passos sejam dados também no sentido de priorizar a
educação de qualidade como verdadeiro passaporte para um país mais justo e
democrático.
segunda-feira, 26 de maio de 2014
O preocupante recrudescimento do fascismo na França
Os números que consagraram o
fascista Front national (FN), de
Marine Le Pen, como o partido mais votado na França nas eleições ao Parlamento
europeu realizadas neste domingo (25%, contra 20% da UMP, de centro-direita e
14% do Partido Socialista, de centro-esquerda, que governa o país) são obviamente preocupantes,
conquanto nada surpreendentes para quem tem acompanhado minimamente os últimos
anos da política francesa.
E nem é preciso um grande talento
analítico para desconfiar que essa catástrofe se avizinhava. Por exemplo, neste
mesmo blog, em 2012, em texto publicado logo após a animadora vitória de
François Hollande para presidência da França, escrevi o seguinte: “Vejamos, com
certa expectativa, para onde se encaminhará o novo governo socialista. Pode estar nas mãos de Hollande, seja o recrudescimento de
uma direita ainda mais extremada (que tem se fortalecido na Europa nos últimos
anos), em caso de fracasso, seja, em caso de sucesso, a abertura de um novo
período de fortalecimento da esquerda europeia – o que é bom para todos aqueles
que compartilham do ideal de um mundo mais justo e solidário” (leia o
texto completo aqui).
Menos de um ano depois, durante o
período em que morei na França, e percebendo no cotidiano o descontentamento
crescente com os rumos do governo Hollande, redigi outros dois textos sobre a
crise da esquerda francesa – exemplar da crise que, a bem da verdade, há tempos
atravessa toda a esquerda europeia. Um deles, inclusive, contrastando a
situação daquele continente com os ares progressistas que respiramos na América
do Sul (leia aqui e aqui).
Destaco duas passagens: na
primeira, de fevereiro de 2013, observava que, diante da crise que afetava o
continente, “a receita europeia nada tem de nova: trata-se, afinal, da adoção
ainda mais aprofundada do falido receituário neoliberal, que submete o
interesse coletivo ao interesse privado (no caso, dos bancos, das grandes
corporações etc., únicos a ganhar com a crise). Diante disso, o problema que se
coloca é que o “antídoto” europeu à crise – e que infelizmente, vale insistir,
mesmo o governo socialista francês, eleito sob a égide do changement (mudança) tende a adotar – é justamente o que está na
origem da própria crise: a ausência de controles estatais sobre a circulação do
capital, a financeirização crescente da economia, o aumento astronômico da
liquidez do capital ficíticio das grandes empresas, a subordinação da res pública, isto é, da “coisa pública”
ao setor privado, a dissolução das conquistas sociais etc. Ora, a única solução
plausível no combate à crise é justamente reverter
essa lógica – que, no limite, é a própria lógica do capital em sua fase
contemporânea. Mas, para isso, é preciso um Estado ativo, orientado por
políticas públicas eficazes, direcionadas para o crescimento com distribuição
de renda, para geração de emprego e aumento do poder de compra do salário, para
o fortalecimento do mercado interno nacional e para a garantia de direitos, e
não um poder público vassalo das regras ditadas pelo mercado”.
Poucas semanas mais tarde, em
solução de continuidade, assinalava: “Há poucos dias,
o ex-presidente Lula disse que o problema da Europa era político: a falta de
uma liderança capaz de instituir um novo horizonte para o continente. Hollande
teve o voto para ser essa liderança (ele mesmo assumiu, [em recente] entrevista,
que “todos nos olham com esperança”), mas não tem conseguido. O grande problema
aqui – basta uma olhada nas redes sociais para ver o teor de grande parte dos
comentários acerca da entrevista de Hollande – é que o insucesso do governo
socialista, longe de abrir espaço para uma esquerda mais arrojada, tende a
facilitar o caminho para o fortalecimento da direita e da extrema-direita. Um
quadro desastroso, não apenas para quem foi eleito sob a égide do changement, mas para a própria
perspectiva de superação definitiva da tragédia neoliberal em nível global – o
que passa pelo recrudescimento da esquerda (social-democrata, socialista e
comunista), hoje bastante desacreditada, no continente europeu”.
Passado pouco mais de um ano, a
situação não mudou. Ou melhor, mudou, mas para pior: Hollande se inclina cada
vez mais para a direita – e, naturalmente, aprofunda a crise. Por conseguinte, cede
espaço para que o discurso xenófobo e racista da extrema-direita encontre eco
em setores cada vez mais amplos da população francesa, especialmente entre
jovens e trabalhadores (não por acaso, as camadas mais duramente atingidas pela
persistente crise econômica). A expressiva votação do Front national neste domingo, somada às altas taxas de abstenção, é
sintomática de um descontentamento generalizado dos franceses com a situação
política e econômica do país. Sem saída à esquerda (o partido à esquerda do PS
de Hollande, o Front de gauche, infelizmente
não tem força para se apresentar como alternativa), restam a busca por “atalhos”
ou por soluções simplistas, tais como oferecidas pelos setores
anti-democráticos. Como se vêm, a catástrofe consumada neste último domingo
estava em gestação há algum tempo.
Ora, para além da França (o que,
diga-se, já seria muito), o que preocupa é que essa tendência pode doravante se
espalhar. Mesmo com algumas vitórias da esquerda em países como a Grécia ou
Portugal, parece inegável que, ao contrário do que tem ocorrido na América
Latina, a tendência europeia é de uma propensão cada vez maior para a direita. Isso
fica visível, por exemplo, ao se analisar o quadro geral das eleições deste
ano: no total, foi a centro-direita a grande vencedora deste pleito, elegendo o
maior número de euro-deputados. Além disso, não bastasse o caso francês, outros
partidos de extrema-direita elegeram uma bancada representativa no parlamento
europeu. Pior ainda: partidos declaradamente neonazistas (da Grécia e da
Alemanha) deverão ter representantes no parlamento pela primeira vez (veja o
quadro mais detalhado neste link). Não obstante, pela importância geopolítica da França,
somada à sua maciça votação, pode-se dizer que foi concedido ao Front nationale o poder de liderar, em
nível continental, o recrudescimento do fascismo europeu. Com isso, a
perspectiva de uma superação positiva dos pilares do neoliberalismo – que
depende fortemente dos rumos da economia do Velho Continente – fica
enfraquecida. Ao mesmo tempo, a Europa democrática, aparentemente tão sólida, abre
perigosas fendas diante de um discurso que se dizia ultrapassado, mas que novamente
(como nas décadas de 1920 e 1930) demonstra ser parte integrante do modus operandi capitalista em seus
momentos de crise aguda. As consequências imediatas de todo este cenário ainda
são difíceis de precisar. Mas, a nos fiarmos nos ensinamentos da História,
parece razoável começarmos a nos preocupar.quarta-feira, 21 de maio de 2014
Bem no fundo
Um poema do sempre genial Paulo Leminski para esses dias de ansiedade e preocupação.
Bem no fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Titãs - Flores
Nos últimos dias, tenho passado por uma fase meio nostálgica, de saudade de tudo que remete ao final dos anos 80, início dos 90. Por isso, decidi postar um clipe que ilustra aquela época - embora só tenha conhecido esta música alguns anos depois. Com vocês, um verdadeiro clássico do rock nacional, de 1989: Flores, dos Titãs.
terça-feira, 29 de abril de 2014
20 anos. Mas parece que foi ontem
Como fazia com frequência,
naquele domingo eu tinha arrumado meus carrinhos no tapete da sala e demarcado
ali, com alguns objetos da minha mãe, um circuito de corridas. Enquanto os
carros de Fórmula-1 disputavam na pista de Ímola, eu, embalado por minha imaginação
juvenil, reproduziria a corrida na sala de casa. O campeonato, é verdade, não
estava dos mais animadores. Depois de anos na McLaren, Senna havia trocado a
clássica escuderia inglesa pela Willians, à época, a melhor do campeonato. No
entanto, as primeiras corridas tinham sido desanimadoras. O GP de Ímola era a
chance de recuperação. Com 6 anos no tri-campeonato de Ayrton, eu sonhava em ver Senna , mais uma vez,
campeão. Agora, mais consciente do que isso significava.
TV ligada e carrinhos a postos. Um
olho lá, outro cá. Foram milésimos de segundos que separaram um último
movimento nos carrinhos e a frase marcante de Galvão Bueno, “Senna bateu forte!”.
Em poucos minutos, o inimaginável se tornava cada vez mais real. Chamei minha
mãe e saí correndo de casa. Meu pai, naquele dia, acompanhava um jogo de
futebol amador em um campo de várzea a alguns quarteirões de casa. Cheguei lá
correndo. Com a frase que ninguém sonhava que seria dito naquele domingo, 1º de
maio de 1994: “Pai, o Senna morreu!”. Não só ele, como outras pessoas ali na
arquibancada, me olharam assustados. “Não é possível”, diziam. Ou pensavam. Mas
era.
À tarde, fui até a casa dos meus
avós, e vi meu tio em
lágrimas. Não só ele. O Brasil inteiro estava. O golpe havia
sido duro demais. Ayrton Senna havia partido. Os domingos não seriam mais os
mesmos. O automobilismo não seria mais o mesmo. Acho que nem nós seríamos mais
os mesmos.
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