sábado, 25 de outubro de 2014

Amanhã é dia de reeleger Dilma presidenta, 13!

Hoje termina a campanha mais surpreendente e tensa do período pós-redemocratização. E após uma longa temporada de intensa polarização (primeiramente entre Dilma e Marina, depois entre a petista e Aécio), cresce a certeza de que a disputa que esteve desde o início colocada era se queríamos avançar no sentido de construir um país mais democrático, inclusivo e soberano, ou se queríamos retomar a trilha neoliberal dos anos 1990, em que o mercado, e não o povo, é o centro da política.

Os programas televisivos, os debates e, principalmente, o trabalho da militância nas ruas mostraram, a quem ainda tinha dúvidas, o melhor caminho a seguir. Por isso, cada vez mais e mais pessoas têm a certeza do que fazer neste domingo:

- Amanhã é dia de se erguer contra o ódio, o preconceito e a intolerância.

- Amanhã é dia de ver a verdade e o povo brasileiro triunfarem sobre a mentira propagada por uma minoria que se incomoda pelo bem estar dos demais.

- Amanhã é dia de votar, não contra um candidato, mas a favor de um projeto político que tem mudado positivamente a cara do nosso país.

- Amanhã é dia de reeleger Dilma presidenta, 13!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

10 dias para escolher o futuro do país

Passado o período da “onda Aécio”, o fato é que, a 10 dias das eleições, temos um pleito completamente indefinido. Talvez, a única certeza seja de que o país sairá dessas eleições dividido – suspeito que como nunca antes. Difícil apontar ainda as consequências dessa situação. Por ora, prefiro me concentrar nos fatores que podem fazer a balança pender para um lado ou para o outro nesta reta final.

Há uma margem muito pequena de eleitores ainda em disputa. Há uma parte grande que não votará no PT de forma alguma, isto está claro. Mas, se a percepção de Josias de Souza (leia aqui) está correta – de que os aproximadamente 6% de indecisos em “disputa” se situam na tal “nova classe média” (na verdade, em setores que foram inseridos na classe trabalhadora) – a situação pode ser mais favorável a Dilma. Afinal, é graças aos governos petistas que estes eleitores se encontram em melhor situação sócio-econômica do que antes. O ponto, portanto, é reforçar esta percepção ao contingente que ainda não se convenceu disto. Para isso, os programas eleitorais, mas, sobretudo, os debates podem desempenhar um papel decisivo.

No encontro da última terça, por exemplo, Dilma soube desconstruir Aécio, tornando um tema aparentemente desvantajoso a seu governo, a corrupção na Petrobrás, em uma saraivada de denúncias contra os governos do PSDB (na verdade, de constatações) que acuaram o candidato tucano. Outras atuações como esta, nos debates que restam (a começar pelo de hoje, no SBT), podem demonstrar para o eleitor, sobretudo para estes indecisos, que Dilma é a candidata mais apta a fazer as mudanças que o país precisa sem comprometer as conquistas obtidas até aqui. Nesse sentido, Dilma tem sabido pontuar corretamente a existência de dois projetos políticos antagônicos para o país, mostrando que sua candidatura é a única que representa “mais mudanças” para a população mais necessitada. Por isso, na campanha de rua, nas redes, nos programas de TV, e nos debates, entendo que é essa a tônica a ser adotada: reforçar a polarização política e mostrar para essa parcela dos indecisos que apenas o projeto materializado na candidatura de Dilma pode continuar a melhorar a vida deles. O embate está colocado. Estes últimos 10 dias serão de muita luta!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Breves considerações sobre o 1º turno e os desafios do 2º

Com a cabeça mais fresca, depois de um dia cansativo, é possível fazer algumas considerações e balanços sobre o primeiro turno das eleições.

Sobre a disputa presidencial, evidentemente, houve uma surpresa no resultado. A votação bem acima das expectativas de Aécio, e a votação um pouco abaixo do esperado de Dilma (Marina manteve-se no mesmo patamar de 2010), farão com que o segundo turno seja uma verdadeira batalha. São Paulo foi, sem dúvidas, a mola propulsora da arrancada tucana, e é neste Estado – que mais uma vez expressou seu conservadorismo em todos os níveis eleitorais – que pode estar a chave da vitória no dia 26/10. Dilma e o PT devem ter atenção redobrada por aqui. Não para vencer, mas para minimizar a diferença de quatro milhões de votos que o tucano impôs sobre a petista.

Além disso, naturalmente, é preciso disputar os votos de Marina. Esta, aliás, é a grande questão, do ponto de vista, eleitoral, deste segundo turno: para onde migrarão os votos depositados ontem no PSB? É preciso lembrar que o eleitorado marineiro era composto essencialmente de duas fatias contraditórias. A primeira, de jovens, em especial de grandes centros, que enxergavam nela a vocalização das manifestações de junho do ano passado. A segunda, um eleitor conservador, em sua maioria evangélico, que encarava Marina como a candidata mais apta a “tirar o PT do poder”. Difícil dizer qual era majoritária (se é que havia), mas tendo a apostar nesta última. E, se for assim, há de se levar em conta que parte dele migrou para Aécio já no primeiro turno, especialmente em SP. Sendo assim, a margem de transferência pró-tucano se estreita, e deve haver uma disputa equilibrada por estes votos. Contudo, convém ainda aguardar as movimentações desta semana. Inclusive, um eventual apoio público de Marina ao PSDB, já sinalizado na noite de ontem, para considerações mais precisas.

De qualquer forma, o PT deve primeiramente concentrar suas forças, a meu ver, para atrair essa parcela do eleitorado de Marina de corte mais progressista. Para isso, é preciso fazer novamente deste segundo turno uma disputa ideológica polarizada. Não há espaço para erros e tergiversações. É o PT, o campo popular-democrático e seu futuro, contra o bloco conservador do anti-petismo que se enfrentarão até o dia 26. Até porque, é sempre necessário lembrar: Aécio, turbinado pelo seu desempenho e a virada improvável no primeiro turno sobre Marina – o que já o deixaria em uma situação positiva para o segundo turno – terá o apoio irrestrito da grande mídia, o que é sempre de grande valia. Vide o que ocorreu na disputa para o governo de SP, em que Alckmin, blindado pelos grandes meios de comunicação, conseguiu a reeleição em primeiro turno, mesmo com o estado em frangalhos.

Em resumo, a disputa será acirrada. Mais do que o previsto, talvez. A nova-velha composição do Congresso também indica um fortalecimento de candidaturas de centro-direita e de direita que é preocupante. Via de regra, é fato, o Congresso Nacional tem perfil conservador, sobretudo por conta da influência do poder econômico nas eleições. Em 2014, porém, houve um aprofundamento deste perfil: não apenas o centro e a centro-direita ampliaram sua representação, mas candidatos que podem facilmente ser identificados à direita mais nefasta (ou extrema-direita, se preferirem), como Bolsonaro (RJ), Heinze (RS), Feliciano (SP), tiveram votações absolutamente expressivas. Por outro lado, é notável que a bancada do PT, mesmo com perda considerável, ainda seja a maior da Câmara – o que mostra o enraizamento do projeto petista em grandes parcelas da população, apesar de tudo. 

Enfim, dá para dizer o seguinte: se vai ser intensa, a batalha que começamos hoje também não será mais árdua do que outras que enfrentamos. Nesse sentido, nunca é demais lembrar: uma vitória em primeiro turno de Dilma era mesmo muitíssimo difícil de ocorrer. E, acima de tudo, convém não esquecer que foi Dilma e o PT quem venceram o primeiro turno, que venceram a sétima disputa presidencial das últimas sete disputadas. À oposição, portanto, devagar com o andor (porque seu santo é literalmente de barro). Aos petistas, é hora de arregaçar as mangas, defender nosso projeto, e disputar com energia e de cabeça erguida os rumos de nosso país.




quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Está chegando a hora!

Está chegando a hora! Amanhã termina o horário eleitoral gratuito de rádio e televisão. Teremos o último debate entre os candidatos à presidência da República e, com ele, o fim do primeiro turno da campanha eleitoral de 2014.

No que diz respeito à disputa pelo Palácio do Planalto, atingimos estes últimos dias com duas grandes questões (que apreciam improváveis há alguns dias ou semanas): é possível uma vitória de Dilma já no primeiro turno? Caso ela não ocorra no próximo domingo, seu adversário no segundo turno ainda pode ser Aécio Neves?

Para mim, nos dois casos, a resposta é: sim, é possível, mas pouco provável. O PT nunca venceu no primeiro turno uma corrida presidencial e, conquanto as pesquisas sinalizem que Dilma pode superar a barreira dos 45% dos votos válidos, ainda entendo ser muito difícil ela conseguir a metade mais um já no dia 5. Não é impossível, como disse, mas eu prefiro não arriscar. Não contar com esta hipótese e me decepcionar com um “revés”. Isto aconteceu com parte da militância em 2010, que contava com uma definição no primeiro turno e, quando ela não veio, esmoreceu no início do segundo, dando margem a um crescimento de Serra naquele momento. Por isso, prefiro me concentrar apenas na perspectiva de acumular o maior número de votos possíveis agora, para garantir um segundo turno mais tranquilo. Sabem como é, cautela e canja de galinha...

Nesse sentido, imagino que Dilma deverá ficar, em um bom cenário, na casa dos 48, 49% dos votos válidos, o que significa uma vantagem muito considerável para o segundo turno. Segundo turno este que, a meu ver, deverá mesmo ser disputado contra Marina Silva. Apesar de sua candidatura “fazer água” dia após dia, creio que não haverá tempo hábil para uma recuperação definitiva de Aécio Neves (imagino que a diferença entre ambos deva ficar entre 2 a 3% dos votos válidos, algo como 25% a 23% pró Marina). Infelizmente, porém, o que poderia ser um segundo turno disputado em um patamar mais progressista, que pudesse abrir um período de pautas mais à esquerda nos próximos anos, reproduzirá, em sua essência, a antiga polarização entre PT x PSDB. Isso por conta da inflexão notória da candidatura do PSB à direita, alinhando-se a pautas estranhas a seu programa original.

Mas, sobre o segundo turno, falaremos depois. Por ora, apenas reafirmo meu voto em Dilma Rousseff, pois entendo ser a única candidata, neste momento, capaz de conduzir algumas das reformas mais urgentes no Brasil: a reforma política, a democratização das comunicações (compromissos públicos já assumidos), além de outras, como a tributária, a urbana e a agrária. Votar em Dilma não é garantia de que essas reformas irão avançar (e isso vale para qualquer candidato ou candidata). Afinal, política não se faz apenas na base da vontade. E , nunca é demais lembrar, o próximo Congresso, eleito sobre a base do financiamento privado, deverá reproduzir os vícios do atual, dificultando o avanço das pautas progressistas. Ainda assim, se pode haver mudanças neste sentido, é certamente com Dilma na presidência que elas deverão ocorrer!


Por fim, gostaria de justificar uma lacuna, referente à eleição estadual de SP. Ao contrário de 2010, neste ano não consegui escrever, no blog, nada a respeito desta disputa fundamental. Para mim, como todos os leitores e leitoras do blog devem supor, a provável reeleição de Alckmin no próximo domingo representará um completo desastre para o estado. Mas, entendo que os motivos desta eventual catástrofe, bem como as razões pelas quais a candidatura petista de Alexandre Padilha parece não ter deslanchado como se esperava (embora seja, de longe, o candidato mais preparado para fazer SP avançar social e economicamente, como ficou claro, mais uma vez, no debate desta terça-feira), seriam temas para uma reflexão de maior fôlego. Reflexão esta que, infelizmente, não tive tempo de fazer. No entanto, espero poder escrever algo a respeito uma vez passadas as eleições e com os resultados definitivos. Afinal, quem sabe, depois das sucessivas mentiras contadas por Alckmin na noite de ontem (negando, por exemplo, o racionamento de água em SP), as urnas não nos reservam uma agradável surpresa no próximo domingo?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

100 mil visualizações!!!

Nesta semana, o blog ultrapassou a expressiva marca de 100 mil visualizações desde que foi ao ar, há pouco mais de quatro anos. Isso significa uma média excepcional de cerca de 25 mil visualizações por ano, mais de 2 mil por mês ou cerca de 70 visualizações diárias!

Registro, aqui, minha alegria e meus sinceros agradecimentos a tod@s que tem prestigiado este espaço.

Muito obrigado pessoal!!!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A grande questão das eleições: votaremos por mais ou por menos democracia?

As últimas pesquisas da corrida presidencial colocaram a disputa em um patamar mais factível. Passada a comoção pela morte de Eduardo Campos e o turbilhão causado pela entrada em cena de Marina Silva, temos agora um cenário menos emotivo e mais cristalizado. Nele, a presidenta Dilma lidera, com alguma folga, a disputa do primeiro turno, e estaria em empate técnico com a candidata do PSB no segundo.

Nesta situação, vale ainda dizer, a possibilidade de Dilma vencer ainda em primeiro turno existe (ela teria, em média, entre 40 e 45% dos votos válidos, segundo as pesquisas). Mas, honestamente, como já disse aqui em outros posts, não creio que essa possibilidade possa se tornar realidade. Logo, tampouco entendo que a militância pró-Dilma deva se pautar por ela. É preciso ter humildade e pé no chão nesta reta final de campanha.

Mais ainda: ao que tudo indica, não apenas teremos um segundo turno, como a disputa, doravante, deverá ser bastante equilibrada e singular. Ao galgar apoio dos setores mais conservadores (como o Clube Militar e o pastor Silas Malafaia), adotar práticas estranhas à sua biografia (como a censura ao site Muda mais, de simpatizantes da presidenta Dilma), e incorporar grande parte do programa tucano ao seu, sobretudo na economia (como a independência do Banco Central, a revisão da CLT e do modelo de partilha do pré-sal), Marina selou sua candidatura com um surpreendente e infeliz giro à direita. E este giro, contraditoriamente combinado com uma posição messiânica da candidata, auto-proclamada a encarnação do “espírito de junho” e da “nova política”, tem tornado essas eleições extremamente perigosas.
Sobretudo porque essas ambiguidades da candidatura do PSB têm permitido a alguns setores, mais do que a candidatura tucana autorizaria, suprimir o debate de ideias, e dar vazão a um irracionalismo inédito, na medida em que opõem, ao petismo e seus simpatizantes, um anti-petismo que atingiu, em várias camadas, níveis doentios inéditos, de ódio – como se o PT fosse o responsável por todos os males que assolam o país (leia aqui o post que escrevi sobre a “doença do anti-petismo”, em abril deste ano). Nesse quadro, Marina se beneficia justamente por se apresentar como a materialização daquele sentimento difuso (que, muitas vezes, tem vergonha de se explicitar), ao mesmo tempo em que parece estar imune ao ranço negativo que persegue os tucanos – inclusive Aécio – desde o fim do governo FHC.

Diante disso, entendo que a polarização irracional promovida pela frente anti-PT só pode ser vencida pelo aprofundamento do discurso político. Isso significa compreender que a disputa não se dá no terreno tecnocrático (quem é a melhor administradora), tampouco no desprezível discurso de ódio recíproco (que é arma dos que não têm argumentos), mas no plano ideológico. Estão em debate dois projetos antagônicos de país: um, democrático-popular, que com seus inúmeros acertos e, sem medo de dizer, também com seus erros, insuficiências e contradições, tem feito o Brasil um país menos desigual, mais democrático, inclusivo e soberano. O outro, de corte neoliberal, cuja adoção significaria interromper o caminho de superação de nossos problemas crônicos, retroceder nos avanços sociais e lançar o país no caos econômico que atingiu a Europa e os EUA nos últimos anos. Um projeto subserviente aos interesses de uma minoria – os operadores do capital financeiro internacional e os grandes empresários – que se beneficia com essa situação.

Ora, o que a adesão a estes projetos sinaliza, ao fim e ao cabo, é a própria possibilidade de aprofundarmos a democracia brasileira (política, econômica e socialmente), ou de retrocedermos a um estágio do país para alguns poucos. Por isso, entendo que, no limite, a questão central dessas eleições é a seguinte: votaremos por mais ou por menos democracia? Por baixo da nuvem de ódio que se tenta criar, é esta a disputa essencial do pleito de 2014. É isso, por conseguinte, que precisa, cada vez mais, ser explicitado para toda a população.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Aidar e os desafios do SPFC

Uma pausa na política nacional. Não podia deixar passar a entrevista concedida à Folha, nesta quarta-feira, por Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo (leia aqui). Aidar afirma ter encontrado o SPFC “muito pior do que imaginava”, e constata o óbvio: “o São Paulo parou no tempo”. Foi justamente essa evidência que fez com que muitos – o autor deste blog, inclusive – apoiassem (em meu caso, à distância) a oposição nas eleições do São Paulo, ocorridas em abril.

Não vou entrar na questão, aqui, sobre a “traição política” de Aidar, que só venceu o pleito graças ao apoio de Juvenal Juvêncio – o mesmo Juvenal que, agora, ele acusa de ter endividado o clube além do que se sabia e de administrá-lo de modo ultrapassado. A meu ver, é pouco crível que o atual mandatário são-paulino não tivesse ciência da situação do clube e, sendo candidato da situação, soa estranha a acusação à (falta de) competência administrativa de seu predecessor. No entanto, o que mais me interessa, nesse momento, é sua salutar disposição em mudar os rumos do clube nos próximos anos: equacionar as dívidas e impor uma administração mais profissional, sem descuidar do time de futebol – que é a razão de existir do SPFC.

Como o próprio presidente reconhece, a tarefa é difícil. Mas, felizmente, os alertas que muitos faziam há tempos em relação ao anacronismo representado por Juvenal Juvêncio, foram captados por Aidar. Que ele consiga, então, recolocar o São Paulo em sua trilha natural de conquistas, fazendo do clube, novamente, um modelo para os demais. É o que os são-paulinos mais desejam!